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terça-feira, julho 18, 2006

ÁRIA

Cláudia F.

amadurecem frutas
o tempo apodrece
arimético
as paredes da sala
escombros
átimos da seiva
intransigente
transparecem artérias e gomos
intacto instante
lascivo
Cláudia Éfe
às vezes
sou uma ilha
cercada de mim
por todos os lados
PALAVRAPOEMAdelÍriosDECláudiaÉfe

segunda-feira, julho 17, 2006

não negarás:
o que te liberta
também te condena.
somos todos reféns

VOLÁTIL


Cláudia F.


Diria assim: dia de hoje, um pouco de chuva, um certo calor.
Palavras largadas num canto da casa, plantas com pouca água
Eu de volta.
Quem retorna além de mim? Quem volta comigo?
Por dentro um certo vazio, quase o de sempre
Buracos imensos que preencho com a fumaça do cigarro
Acendo um, depois um outro e sucessivamente.
Tempos que se esbarram, se atropelam, se condensam
Vou ficando por aqui, entre as linhas, entre espaços, misturada.
Mas também como é bom não saber nada direito, não saber de avessos, não prever o fim.
Como é bom deixar-se ir, sem grandes interferências, sem grandes eloqüências e outros volantes.

domingo, julho 16, 2006

ESCOLHAS


Foto: Arquivo Google, sem referência autor.
Texto: Cláudia Ferrari


Escolho a tarde
O papel de parede
Um jeito melhor de abrir as pernas
Algo entre a rebeldia e os bons modos de uma moça de família.
Escolho a roupa, o perfume
A hora do banho
E esfrego com bucha de feira
A alma molhada.
Alma agora ensaboada
Escorrega pelos dedos
E se atira pelo ralo:
Traidora alma que não conspira
Não negocia
Não arreda pé
Arrogante alma que teima em me fazer de gente.

DA ESPERA


Imagem: Arquivo Google, sem referência autor. Texto:Cláudia Ferrari



Vou esperar a casa, a varanda, o quarto,
A sala de espera.
Vou esperar a rede, vou esperar sandálias de dedo.
Vou esperar óculos cada vez mais espessos e perdidos entre poeira e livros .
Vou esperar poemas inteiros e não brigar mais com os incompletos.
Vou esperar a música e que ela venha, sempre, de qualquer jeito.
Vou esperar um amor tranqüilo e impaciente
E que ele nos arrebate e nos reinvente.