Quando você se abre para o supremo, imediatamente ele se derrama dentro de você. Você já não é mais um ser humano comum -- você transcendeu. Seu insight transformou-se no insight da existência como um todo. Agora, você não é mais um ser à parte -- você encontrou as suas raízes.
Não sendo assim -- o que é o mais comum --, as pessoas vão vivendo sem raízes, sem saber de onde o seu coração continua recebendo energia, sem saber quem continua respirando em seu interior, sem conhecer a seiva da vida que está circulando dentro delas.
Não se trata do corpo, e não se trata da mente -- é alguma coisa transcendental a todas as dualidades, que se denomina bhagavat -- o bhagavat nas dez direções...
O seu ser interior, quando se abre, vivencia inicialmente duas direções: a altura e a profundidade. Depois, devagarinho, à medida que vai se acostumando com essa situação, você começa a olhar em volta, estendendo-se em todas as outras oito direções.
Quando você alcançar o ponto em que a sua altura e a sua profundidade se encontram, então, você poderá olhar em volta, para a própria circunferência do universo. A partir desse momento, a sua consciência começará a desdobrar-se em todas as dez direções, mas o caminho terá sido só um.
Quarta-feira, Junho 24, 2009
A casa
Sobre esta noite
tenho a dizer
que me entram
ruídos de gente, como vozes sem endereço
os ventos são como engenho na janela e provocam luas de frases longas
tenho a dizer que tudo é pacato
como as aparências das ruas distantes, dos moinhos vazios
aqui está a minha casa e seus cheiros e lugares escondidos
nada pra ela é objeto, tudo se conta
os amores que tive, os que não tive, os que invento
Se apropria dos ruídos, dá endereço às vozes
Embaralha o silêncio, despedaça os moinhos
fica dona do tempo
Domingo, Junho 21, 2009
Quando isso é só hoje
A maioria de tudo me escapa
Inclusive preciso escrever depressa
Antes que me desvaneça o segundo
Razoável que já me tomou o primeiro
É preciso urgência para a natureza das coisas
Dado que me foge a sabedoria
Como corredeira
Não basta o sol por um dia inteiro
Ou luas cravadas que se ostentam
Tudo será pouco
Dada a geografia parca do entendimento
Queria de volta meus quatro anos
Uns cinco, talvez
Eu olhava com os olhos
E comia com a boca
O caminho
21.06.2009
Terça-feira, Junho 09, 2009
Sábado, Maio 30, 2009
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Telegrama, outro
em algum instante
tudo avisa urgência
há uma grande viagem
é preciso que se façam malas
que se marquem bilhetes
que se embarquem
Telegrama
Terça-feira, Maio 19, 2009
OS CIGANOS AINDA ESTÃO NA ESTRADA
Sábado, Maio 16, 2009
Oxalá
Sábado, Maio 09, 2009
Quarta-feira, Maio 06, 2009
Khrystal, o cão chupando manga
Tive a sorte de assistir ao show de Khrystal ontem à noite, no muito querido teatro Rival (Petrobras).
Impactante é pouco, foi Brasil pelos meus quatro cantos. De Jackson, Lenine e de outros cabras tão arretados que minha ignorância nunca ouviu falar.
(continuo mais tarde, hora de ir pro trabalho... até)
Domingo, Maio 03, 2009
Augusto Boal

"Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida"
(num discurso em Paris, no dia 27 de abril de 2009, Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido, 1931- + 2009).
Quarta-feira, Abril 29, 2009
Khrystal no Teatro Rival , é "Coisa de Preto"

por Zé Dias (Produtor Cultural)
http://www.myspace.com/cantorakhrystal
Coisa de preto dá coco. E se dá coco é potiguar. É mais ou menos nessa batida que Khrystal lança o CD “Coisa de Preto” no Teatro Rival Petrobras, Rio de Janeiro.
Com 27 anos de vida e já com oito de carreira, a cantora Khrystal, como a maioria dos artistas brasileiros, começou a se apresentar na noite, cantando hits de sua geração, sem nunca perder a via da trajetória da Música Popular Brasileira.
Antenada com todos os sons e se dizendo intérprete da MPB do rock, nos últimos anos mergulhou em um trabalho de pesquisa no ritmo mais potiguar de todos (O CÔCO) e lançou em maio de 2008, seu primeiro trabalho que contempla canções de Lenine, Dominguinhos, Guinga e Jacinto Silva, para citar alguns dos bons compositores nacionais, e resgata Elino Julião, além dos novatos Galvão Filho e Romildo Soares, potiguares da melhor estirpe.
Paralelo ao trabalho de cantora e, sentindo necessidade de se expressar como compositora, uniu-se a quatro cantores/compositores, Luiz Gadelha, Angela Castro, Simona Talma e Valéria Oliveira. Juntos, criaram o Projeto Retrovisor, que nada mais é do que uma ode a canção autoral.
Como primeiro fruto do projeto, khrystal e Simona Talma vencem o MPBECO-Festival do Beco da Lama, com a canção “Volta”, consolidando a união e força da iniciativa que visitou os quatro cantos da cidade, além de Mossoró e Ribeirão Preto/SP, mostrando suas canções autorais e confirmando que nem tudo está perdido na canção popular do Brasil.
SERVIÇO
KHRYSTAL & BANDA
DIA 05 DE MAIO, TERÇA-FEIRA, ÀS 19h30
TEATRO RIVAL PETROBRAS
INTEIRA: R$ 30,
MEIA: R$ 15,
Terça-feira, Abril 21, 2009
proximidade
Quinta-feira, Abril 09, 2009
Domingo, Março 01, 2009
ACASOS LITERÁRIOS

A Editora Multifoco faz uma homenagem especial às mulheres
dia quatro de março, quarta-feira, a partir das 19h30
Debate com as autoras:
MARIA DE QUEIROZ (FLORES DE DENTRO) & TATHIANA TREUFFAR (ABRO O LIVRO QUE ME ESCREVO)
MPB e Samba:
MICHELINE CARDOSO
av. Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro
reservas: 2222 3034
Sábado, Fevereiro 28, 2009
Sobre perambulações no pequeno livro de mágicas
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
Dona Do Raio: O Vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
"É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz um ninho no enrolar da fúria e voa firme e certa como bala
As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos, passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança a sua força e do risco de morrer, seu alimento
Por isso me parece imagem e justa
Para quem vive e canta num mau tempo"
O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia (2x)
A minha voz é vento de maio
Cruzando os mares dos ares do chão
Meu olhar tem a força do raio que vem de dentro do meu coração
O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia
Eu não conheço rajada de vento mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro, vira um corisco esse meu coração
Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento, tornou-se a dona do meu coração
O raio de Iansã sou eu...
Sem ela não se anda
Ela é a menina dos olhos de Oxum
Flecha que mira o Sol
Olhar de mim.
Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
Sábado, Fevereiro 07, 2009
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
Não sei quantas almas tenho

Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Terça-feira, Janeiro 27, 2009
Tunico Ferreira & Banda
Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
Das Vantagens de Ser Bobo

Clarice Lispector
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.
Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
Por enquanto
Segunda-feira, Janeiro 19, 2009
Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada
de "O Guardador de Águas"
I
Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.
II
Todos os caminhos - nenhum caminho
Muitos caminhos - nenhum caminho
Nenhum caminho - a maldição dos poetas.
III
Chove torto no vão das árvores.
Chove nos pássaros e nas pedras.
O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.
Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.
Crianças fugindo das águas
Se esconderam na casa.
Baratas passeiam nas formas de bolo...
A casa tem um dono em letras.
Agora ele está pensando -
no silêncio Iíquido
com que as águas escurecem as pedras...
Um tordo avisou que é março.
IV
Alfama é uma palavra escura e de olhos baixos.
Ela pode ser o germe de uma apagada existência.
Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.
Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao
fóssil, ao ouro que trazem da boca do chão.
Andei nas pedras negras de Alfama.
Errante e preso por uma fonte recôndita.
Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos com flor!
V
Escrever nem uma coisa Nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.
VI
No que o homem se torne coisal,
corrompem-se nele os veios comuns do entendimento.
Um subtexto se aloja.
Instala-se uma agramaticalidade quase insana,
que empoema o sentido das palavras.
Aflora uma linguagem de defloramentos, um inauguramento de falas
Coisa tão velha como andar a pé
Esses vareios do dizer.
VII
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa luxúria com a liberdade convém.
VII
Nas Metamorfoses, em 240 fábulas,
Ovídio mostra seres humanos transformados
em pedras vegetais bichos coisas
Um novo estágio seria que os entes já transformados
falassem um dialeto coisal, larval,
pedral, etc.
Nasceria uma linguagem madruguenta, adâmica, edênica, inaugural
- Que os poetas aprenderiam -
desde que voltassem às crianças que foram
às rãs que foram
às pedras que foram.
Para voltar à infância, os poetas precisariam também de reaprender a errar
a língua.
Mas esse é um convite à ignorância? A enfiar o idioma nos mosquitos?
Seria uma demência peregrina.
IX
Eu sou o medo da lucidez
Choveu na palavra onde eu estava.
Eu via a natureza como quem a veste.
Eu me fechava com espumas.
Formigas vesúvias dormiam por baixo de trampas.
Peguei umas idéias com as mãos - como a peixes.
Nem era muito que eu me arrumasse por versos.
Aquele arame do horizonte
Que separava o morro do céu estava rubro.
Um rengo estacionou entre duas frases.
Uma descor
Quase uma ilação do branco.
Tinha um palor atormentado a hora.
O pato dejetava liquidamente ali.
Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho

Manoel de Barros
de "O Guardador de Águas", Ed. Civilização Brasileira.
1
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.
3
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.
7
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;
Se aparecem besouros nas folhagens;
Se as lagartixas se fixam nos espelhos;
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;
E o escuro se umedeça em nosso corpo.
9
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a
lesma deixa risquinhos líquidos...
A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as
palavras
Neste coito com letras!
Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma
escorre. . .
Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.
11
Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse.
12
Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.
13
Lugar em que há decadência.
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por
morcegos.
Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas
a dentro.
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a
dentro.
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.
Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.
Onde os homens terão a força da indigência.
E as ruínas darão frutos
Domingo, Janeiro 18, 2009

Cláudia Efe
Manoel
hoje não tem brisa
e também não achei Anarina
Foi um dia quente
e agora uma certa chuva
Adoro os telhados
e o som das calçadas e dos ventos
o que a gente mais precisa na vida?
Um tambor de dentro
um tambor de fora
e talvez uma exceção desmedida
que nos escorra por dentro
Quinta-feira, Dezembro 11, 2008
Sexta-feira, Dezembro 05, 2008
A CANTORIA DE CÁTIA DE FRANÇA

por Cláudia Ferrari
Cátia de França e Banda
recebem Xangai no show “A Cantoria de Cátia de França”
um Brasil que canta o Brasil por dentro
Quem sobe ao palco do Teatro Rival Petrobras no próximo dia 16 de dezembro, terça-feira, a partir das 19h30 é a cantora, compositora e instrumentista Cátia de França e Banda (Marcelo Bernardes, sax e flauta; Sérgio Chiavazzoli, violão e viola de 12 cordas; Jakaré e Leonardo Hedim Palma, percussão). O show “A Cantoria de Cátia de França” tem participação super especial de Xangai.
Cátia de França é um dos ícones da música nordestina que, a partir da década de 1970, revelou para a Música Popular Brasileira nomes, entre outros, como os de Zé Ramalho (produtor do primeiro vinil de Cátia de França, “Vinte palavras girando ao redor do sol”, 1979), Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença e Tânia Alves. Para Hermínio Bello de Carvalho, “quando Cátia surgiu, surgiu com ela também a estranheza. Da voz, do repertório, da coisa comportamental que ela trazia. Ou seja, ela não era uma artista de consumo, ela não era um produto, ela era uma artista genuína, que tinha uma proposta de trabalho muito interessante, uma voz absolutamente original.”
A paraibana de verve artística e presença de palco inconfundíveis, promete trazer para o público do Rio de Janeiro o suingue e força poética – bebe na fonte de Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego, Guimarães Rosa e Henry David Thoreau, para citar alguns dos - que permeiam sua obra. Um arsenal construído em décadas de letras viscerais e delicadeza impactante e, muito boa música, espalhado por palcos de todo o Brasil.
No repertório do show “Cantoria de Cátia de França”, além das composições consagradas na sua própria voz e por intérpretes do quilate de Elba Ramalho (Kukukaia – Jogo da asa da bruxa), Amelinha e Chico César (Coito das Araras), Clementina de Jesus (Meu boi surubim) e Xangai (Antoninha), a artista também apresenta músicas inéditas de “Hóspede da natureza”, seu mais novo CD, com lançamento previsto para 2009.
Prestes a completar 62 anos (em 13 de fevereiro de 2009), a artista de carreira ininterrupta por mais de 40 anos, foi recentemente agraciada com os prêmios “Mestre das Artes Canhoto da Paraíba”, pela sua cidade natal e com o “Itaú Cultural”, em São Paulo.
Xangai, amigo e parceiro musical de longa data
Nascido no sertão da Bahia e criado na zona da mata de Minas Gerais, o cantor, compositor e violeiro, Xangai aprendeu a cantar aboiando com os vaqueiros. Para a crítica especializada é considerado uma das mais belas vozes da música sertaneja de raiz. É primo do cultuado compositor Elomar, artista decisivo para a sua formação musical. Xangai gravou várias músicas de Cátia de França ao longo de sua carreira e, juntos, já realizaram shows pelos quatro cantos do país. Para a “Cantoria de Cátia de França” no Teatro Rival Petrobras, Xangai traz a multiplicidade da música do sertão, com toda a sua beleza, sofisticação e, acima de tudo, simplicidade.
Credenciais para imprensa e mais informações:
Cláudia Ferrari (jornalista – assessora de imprensa)
claudiajornalista@gmail.com ou claudia.ferrari@globo.com
Sábado, Novembro 08, 2008
Tsunâmi sistêmico com batida de umbu
ESCRITOR E JORNALISTA
Até mesmo no Pelourinho, sorvendo batida de umbu depois de uma palestra a convite da UNE na Universidade Católica de Salvador, foi impossível ignorar os estrépitos e as marolas do tsunâmi no coração do capitalismo, no "areópago do mercado mundial" do poema que Drummond dedicou ao FMI. Esse Mercado que, como Deus, mereceria inicial maiúscula, padece de moléstia grave e insidiosa, conseqüência da desenfreada cobiça que estimulou nos banqueiros e especuladores, sedentos de lucros fáceis, sem trabalho, a qualquer preço.
O diagnóstico que grassava entre os turistas das mesas próximas já era dos mais sombrios: crise sistêmica, isto é, bem mais ampla e generalizada do que as periféricas que acometeram alguns países e regiões nas últimas décadas, como a da Ásia em 1997. Na medicina, equivaleria a câncer com metástase. As células afetadas que migram, há ano e meio, da lesão inicial, no sistema de crédito imobiliário e hipotecário dos Estados Unidos, estão provocando a maior crise do sistema desde a Grande Depressão, que se seguiu ao crash da Bolsa de Nova York em 1929, com a derrota do capital financeiro e o "formidável enterro" de uma quimera, que não é a única nem a última – como a do Augusto dos Anjos – do capitalismo, mas, certamente, uma das mais resistentes: Ele, o Mercado, seria auto-regulável. Falácia promovida, no início dos anos 80, conforme o megainvestidor húngaro-americano George Soros, a "dogma ideológico", pelo presidente Ronald Reagan e pela primeira-ministra britânica Margareth Thatcher.
O candidato republicano John McCain perdeu logo alguns pontos na disputa com o democrata Barack Obama, por insistir na tese da solidez dos fundamentos da economia norte-americana, um dos sagrados mandamentos dos fundamentalistas do Mercado, os adoradores do Charging Bull, o touro de bronze que simboliza a força do capitalismo no distrito financeiro nova-iorquino. O que eles estarão pensando agora, depois da estatização de bancos e do pacotão antifalências, socorro governamental, à custa dos contribuintes (socialização dos prejuízos), de US$ 850 bilhões para a compra dos papéis podres das subprimes, que os economistas estão chamando de "lixo tóxico" – para Soros, um band-aid para quem está com hemorragia? E as receitas neoliberais que nos prescreviam? Será que os "irmãos do Norte", como eram chamados pelos revolucionários da ditadura, entendem de finanças tanto quanto de direitos humanos e respeitam os princípios da economia tanto quanto o Direito Internacional e a autodeterminação dos povos?
Sei que, lá do alto dos templos de Wall Street, Ele, que tudo vê, sabe, mercantiliza e coisifica, inclusive eu e o umbu, pode não gostar, mas quero mais uma batida. Que desce ainda mais redondo quando me lembro de que, antes de ACM, a Bahia viveu sob o reinado de Juraci Magalhães, também criador, em 1965, de um dogma ideológico, sacralizado pela ditadura e responsável por uma era de vassalagem em nossa política externa: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". Não era, como também não é, necessariamente mau para nós o que é ruim para eles.
Com a redução da nossa vulnerabilidade externa nos governos Lula, podemos, ao longo do maremoto, diminuir, com os três outros emergentes do Bric (Rússia, Índia e China), a distância que nos separa dos países ricos. Desde 2003, a dependência do Brasil em relação às exportações para os EUA caiu de mais de 23 para 15%; na China, é inferior a 3%. E é por isso que o vagalhão chega ao Pelô como marola, sem os redemoinhos em que se afogam os bancos norte-americanos. Aqui, o processo de submissão ao Consenso de Washington, iniciado com a atabalhoada abertura da economia no governo Collor e continuado com as privatizações e desnacionalizações de Fernando Henrique, ainda pôde ser contido.
Embora o colapso de Wall Street assinale a decadência do império norte-americano e a História já tenha demonstrado que hegemonias e sistemas não são eternos, ainda não é hora de comemorar o acerto das previsões de Marx quanto ao fim do capitalismo. Mesmo porque é impossível prever que sistema o sucederia. Para o cientista político norte-americano Imannuel Wallerstein, no momento, "a única alternativa no cardápio é o Fórum Social Mundial".
No que se refere à hegemonia, que ele define como "um fenômeno do sistema capitalista mundial", a China desponta como favorita, inclusive porque já vem promovendo a reconversão da sua economia para o mercado interno. A se confirmar o prognóstico, que o embaixador brasileiro Miguel Osório de Almeida já fazia, baseado em projeções econométricas, há algumas décadas, eu me permitirei uma profecia: a Grande Muralha desbancará a Disneylândia como supremo objetivo de consumo cultural da nossa classe média.
Nada mais havendo a festejar por enquanto, peço a saideira ao dono da Cantina da Lua, Clarindo Silva, que acumula a função de Rei Momo do Carnaval baiano. Os 70 anos do monarca não foram objeto de contestação, mas os seus 60 e poucos quilos, num físico que lembra os maratonistas etíopes e quenianos, causaram indignação entre os obesos candidatos soteropolitanos que derrotou na eleição. Será que, na essência, não é este o mal que acomete o Mercado: o excesso de gordura, sem sustentação muscular? Com a falta de lastro em bens reais, e também – e não menos importante – na ética ?
Artigo publicado no Jornal do Brasil
em 27 de outubro de 2008, pág. A10
MÚSICA NO MUSEU
convida professores/educadores para
REPÚBLICA DOS PROFESSORES - A REPÚBLICA NA MÚSICA BRASILEIRA
COM O GRUPO HISTÓRIA ATRAVÉS DA MÚSICA
no dia 12 de novembro (4ª feira), das 13:00 as 17:00 horas no ESPAÇO EDUCAÇÃO
Agendamento pelo email: encontrocomprofessores@museudarepublica.org.br
15 de novembro (sábado), das 15:00 as 16:30 horas nos Jardins do Museu da República
GRUPO HISTÓRIA ATRAVÉS DA MÚSICA
ENTRADA FRANCA
Domingo, Novembro 02, 2008
"O inimigo da nossa geração usava farda; o desta é virtual"

Ronney Argolo
Na semana passada, o escritor e jornalista Arthur Poerner deu uma palestra sobre os 40 anos de 1968 na Universidade Católica de Salvador, num evento promovido pela União Nacional dos Estudantes [UNE]. Poerner escreveu em 68 o livro O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros, que até hoje é referência na pesquisa sobre a participação política estudantil. A ditadura já havia então suspendido os seus direitos políticos por dez anos e ele foi obrigado a sair do Brasil e se exilar na Alemanha. Em entrevista para o repórter Ronney Argolo, o escritor conta o que pensa da UNE, da política e dos jovens.
A Tarde – Qual a luta do movimento estudantil hoje?
Arthur Poerner – O inimigo principal é o neoliberalismo, que, nos anos 60, ainda não existia na versão atual, de irrestrita liberdade do mercado. A gente lutava contra a ditadura e pelo socialismo. Nos inspiravam revoluções populares como a cubana, a vietnamita e a chinesa; queríamos trazê-las para o Brasil. Pretendíamos não apenas derrubar a ditadura, mas, também, mudar o mundo. Éramos idealistas e ousados. O inimigo da nossa geração usava farda; o desta é virtual. Pode ser, por exemplo, um banqueiro que rouba o país e, depois, conta com a presteza do Judiciário em sua defesa. Na nossa época, muito menos gente chegava a concluir o curso superior, o que garantia emprego a quase todos que obtivessem o diploma. Hoje, com o número bem maior de graduados, a concorrência no mercado de trabalho também disparou. E os estudantes têm que lutar pela melhoria da qualidade dos cursos e por uma política oficial de emprego.
AT – Para lutar contra o inimigo fardado, os estudantes dos anos 60 tinham ícones como Gandhi, Martin Luther King, Che Guevara. Em quem a juventude se inspira hoje?
AP – Um dos ícones atuais é Nelson Mandela, mas os antigos ainda se mantém. Não temos, no momento, grandes estadistas, nem de esquerda nem de direita. De Gaulle, por exemplo, era um presidente de direita, mas um estadista. É um absurdo patético que um país como os Estados Unidos esteja nas mãos de um boçal como o Bush.
AT – O que a falta de democracia nos ensinou?
AP – Que ela é o valor mais essencial em nossas vidas. Eu sempre falo dos bens de que só tomamos conhecimento quando nos faltam, como as mães. Quando elas estão por perto, para organizar nossas vidas, arrumar as coisas, nos dar atenção, às vezes nem as percebemos. Só depois que as perdemos é que sentimos como eram importantes. O mesmo ocorre com a democracia. Hoje, é normal os estudantes, como os demais setores da sociedade, protestarem, fazerem ouvir os seus anseios e reivindicações. Mas, nos tempos da ditadura, tive os meus direitos políticos suspensos, fui preso e tive que me exilar por pretender exercer o direito à liberdade de opinião e expressão.
AT – Como o senhor enxerga a luta do movimento estudantil no Brasil?
AP – Quando escrevi meu livro, tentei me opor à idéia de que estudante não devia se envolver em política. Eu era universitário, na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro. Pesquisando sobre a participação política estudantil, achei registros muito antigos. O mais velho deles, de 1710, quando corsários franceses invadiram o Rio e os estudantes seminaristas - porque ainda não havia universidade nem faculdades no país - resistiram ao ataque e prenderam o chefe dos invasores, Jean-François Duclerc. Assim como no Rio, encontrei histórias semelhantes em outros estados. Os estudantes da Faculdade de Medicina da Bahia, por exemplo, juntavam dinheiro para alforriar escravos. A diferença é que eram manifestações dispersas, transitórias e regionais. Somente a partir de 1937, com a fundação da União Nacional dos Estudantes [UNE], foram unificadas e se tornaram permanentes e nacionais.
AT – A UNE representa para os estudantes de hoje o mesmo que representava em 60?
AP – Tem o mesmo significado. A UNE tem mais de 70 anos e já participou de muitos movimentos históricos. A diferença é que hoje ela não é hegemônica. Na época do AI- 5, em 68, os sindicatos urbanos estavam sob intervenção, o incipiente sindicalismo rural fora esmagado no nascedouro e as manifestações populares eram coibidas. Por isto, a UNE centralizava a resistência. Agora, a realidade mudou, vivemos uma fase de construção e solidificação da democracia. Existem muito mais organizações sociais, a exemplo da Central Única dos Trabalhadores [CUT] e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra [MST]. Participar de movimento estudantil deixou de ser um risco, porque o nosso governo é aberto a isso, aceita e estimula o diálogo. Não é mais preciso engrossar. Os tempos são outros e as lutas também. A UNE, por exemplo, se bate por mais verbas e vagas para a universidade pública.
AT – O Reuni, programa do governo que propõe essas mudanças, tem recebido muitas críticas. O senhor é a favor dele?
AP – Sim, sou a favor da reestruturação, como vem sendo feita. Às vezes, por serem imobilistas ou por encararem qualquer inovação com receio pessimista, as pessoas se precipitam na rejeição.
AT – E quanto aos movimentos estudantis locais, não ligados a UNE ou que discordam dela?
AP – Todos são importantes, mas a UNE engloba tudo. Participei, ano passado, do Congresso da UNE em Brasília, com a presença da juventude de vários partidos, todos opinando contra ou a favor, democraticamente, como nos anos 60.
AT – O senhor não acha os jovens de hoje muito individualistas para lutar por causas coletivas?
AP – Sim, é um fenômeno mundial. Na Alemanha, por exemplo, há muito que não existe cola nas provas escolares. Mais do que ética, a motivação é a concorrência exacerbada pelo sistema: desde cedo, os estudantes vêem os colegas como concorrentes. Mercantiliza-se tudo, inclusive as pessoas, o que fomenta o individualismo em todo o mundo ocidental. Para isto, contribui o talvez único aspecto negativo da internet, que faz muitas pessoas se isolarem ainda mais.
AT – O Brasil segue o mesmo caminho da Alemanha?
AP – O Brasil tem capitalismo, mas tem buscado um caminho próprio, não neoliberal. O presidente Lula vem promovendo melhoria na distribuição da renda, o que demonstra que a esquerda é parte do poder, com muitas das idéias que nos embalavam nos anos 60.
AT – Os estudantes de hoje são capazes de superar o individualismo?
AP – Sim, ainda temos muito o que realizar como nação e o sucesso dos esforços vai depender do trabalho grupal e comunitário . Temos que combater em muitas frentes: pelo resgate da secular dívida social, contra o desmatamento da Amazônia, contra a situação da saúde pública, contra a corrupção, a impunidade, a lentidão da Justiça, o corporativismo, o cartorialismo, o HIV, pela democracia em todos os níveis e setores básicos do nosso povo. Acho que a juventude sempre soube e saberá se unir nos momentos decisivos da nacionalidade. Os congressos da UNE continuam concorridos. E eu, particularmente, encontro público interessado nas palestras pelo país afora. Além do mais, a mesma internet que, em certos casos, favorece o isolamento e o individualismo, é nossa poderosa aliada na luta fundamental pela democratização da informação e pela mobilização em prol das grandes causas do nosso povo. Tudo depende da consciência e, nesse sentido, a internet é como a pólvora inventada pelos chineses: pode ser destrutiva ou muito útil para a humanidade.
Sexta-feira, Outubro 31, 2008
Cigarro
A solidão é meu cigarro
Não sei de nada e não sou de ninguém
Eu entro no meu carro e corro
Corro demais só pra te ver meu bem
Um vinho, um travo amargo e morro
Eu sigo só porque é o que me convém
Minha canção é meu socorro
Se o mar virar sertão, o que é que tem?
Dias vão, dias vem, uns em vão, outros nem...
Quem saberá a cura do meu coração senão eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu
O amor é pedra no abismo
A meio passo entre o mal e o bem
Com meus botões a noite cismo
Pra que os trilhos, se não passa o trem?
Os mortos sabem mais que os vivos
Sabem o gosto que a morte tem
Pra rir tem todos os motivos
Os seus segredos vão contar a quem?
Dias vão, dias vem, uns em vão, outros nem
Quem saberá a cura do meu coração senão eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu.
Segunda-feira, Outubro 27, 2008
Como eu sou ignorante
Cláudia Ferrari
Em 1989, não se deveria votar no Lula porque, entre outras "pérolas", ele não saberia resolver uma equação de segundo grau.
Em 2008, não se deveria votar no Gabeira porque, entre outras, ele é da Zona Sul, intelectual demais (sic), da elite e blá, blá, blá. É o mesmo preconceito, aquele que não abrimos mão. Aquele entranhado, aquele ranço de sociedade putrefata.
Tudo é tão tosco e, pior, alicerçado pela mídia. Que vergonha as manchetes de hoje estampadas em alguns jornais. A isenção desceu pelos ralos das universidades de Comunicação, foi poluir a Guanabara.
Sempre votei no Lula e ontem, votei no Gabeira.
Nada contra nem a favor do Paes, que não conheço. Mas sou Gabeira, pela trajetória ética que, no mínimo, deve servir como espelho de dignidade para a maioria dos que com isso se importam, esteio.
Quanto a Paes, tomara, de coração, que você faça um governo como o Rio de Janeiro jamais viu, como todos nós merecemos.
Parabéns pela vitória e que eu possa, num futuro breve, me orgulhar de ter você como prefeito de uma cidade que merece ser maravilhosa.
Cachorro doido

Zeca Baleiro
Essa é a noite do cachorro doido
Fina fera, magro bicho
Olho duro, espessa baba
Latindo pra lua o seu capricho
Essa é a noite do poeta torto
Flor de Lotus na sarjeta
Sem lua, musa ou Deus que o guarde
Pulando a janela do contexto
Só a noite é que sabe que a vida não tem jeito
Que pro escuro de um poema
Qualquer ganido é bom pretexto
Qualquer ganido é bom pretexto
Qualquer ganido é bom.
"Posso perder minha mulher, minha mãe
desde que eu tenha o meu Rock'n'Roll"
By Giuvannucci e K-Brito
Terça-feira, Outubro 21, 2008
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
ASPECTOS
Sabor de linhaça
no primeiro suco
som agudo de vento
em folhas imaginárias.
O que são as memórias?
Um punhado de coisas que pegamos com as mãos?
Quem estava ali, quem estará adiante
em mim e no outro?
Também sou um lance de dados
Um balé solto de cartas no espaço
Sou o tempo
largo, generoso, Divino
com o olhar intacto
da vida que acontece
e da outra que me escapa.
Quarta-feira, Outubro 08, 2008
ESCREVER, HUMILDADE, TÉCNICA
Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.
Texto extraído do livro "A Descoberta do Mundo", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1999.
Segunda-feira, Setembro 29, 2008
O OLHAR QUE A PALAVRA LIBERTA
O OLHAR QUE A PALAVRA LIBERTA
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Exercício do olhar, de Tanussi Cardoso.
Editora Fivestar, 143 pgs.
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Cacau Leal*
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Sempre que se aproxima um momento especial entre pessoas amigas ou enamoradas, a primeira coisa que vem à cabeça tem raiz milenar: um presente. Por quê? Porque o presente é uma metáfora de como um vê, sente e deseja o outro. É um ato em que a razão é vencida pelo império dos sentidos.
Há os que dão roupas, perfumes, aparelhos de barbear, celulares. Outros, em cima da hora, dão flores, caixas de bombons, vinhos. E assim o ritual continua firme e forte, sem fronteiras. Mas há uma tribo, cada vez mais rara, que gosta de ler, de tentar entender o mundo, de conhecer as diferenças dentro da união, de ver e ser visto pelo outro. Para estes, por que não um livro? Se essa for a escolha, uma ótima opção é o livro de poesias “Exercício do olhar” (Editora Fivestar), do poeta, jornalista e crítico literário Tanussi Cardoso.
Em “Exercício do olhar”, o poeta não se envereda pelo romantismo idealizado, nem constrói os seus versos sobre a areia movediça do lirismo místico, nem cai no formalismo conservador. O seu esforço é no sentido de expor o que há de mais profundo no coração do homem, sem abandonar a força da linguagem. Chega lá através da lâmina do olhar, em versos como estes, pinçados da poesia que dá título ao livro: “o olho do sonho que se recorda / o olho da memória em movimento / o olho da esperança e da utopia / o olho dos girassóis.” E mais adiante: “o olho da carne dentro da pele / o olho entre os lençóis / o olho insuportável dos limites / o olho sem algemas.” É esse olho, nos olhos de quem o lê e vê e sente, que aproxima em vez de afastar. Olhos que se namoram.
Poeta reverenciado por nomes consagrados no meio literário, como Affonso Romano de Sant’Anna, Olga Savary, Antônio Carlos Secchin, Carlos Nejar e outros mais, Tanussi Cardoso faz valer os elogios recebidos ao longo de sua trajetória. “Exercício do olhar” é uma forma de dizer que tudo está em movimento, que o mundo, as pessoas e as suas falas são um mistério diante do futuro. Essa visão das coisas ganha luz no poema “Óvulo I”, que abre o livro: “meu poema larva: que bicho se abrirá em palavras?” Não é uma dúvida, é a certeza de que algo nascerá de suas entranhas, feito de carne, ossos e sonhos. Bichos, como os da artista plástica Lygia Clark, que são objetos para serem vistos, tocados, vividos. É preciso mergulhar nos poemas para sentir na pele os múltiplos bichos que nascem da lavra poética de Tanussi.
Por querer a renovação do movimento contra o mofo da paralisia, o poeta não pára e lança o seu olhar em múltiplas direções, sem a elas se prender. Ao longo de sua trilha poética, o leitor encontra, implícita ou explicitamente, fragmentos dos universos visionários de Guimarães Rosa, Moacyr Félix, Dalton Trevisan, Raduan Nassar, Dante Alighieri... Ou, conforme os seus próprios versos: “o olho na mão de Gullar / o olho das cinco raízes / Cecília Bandeira Murilo Cabral Drummond”.
E para melhor entender a estranheza causada pela visão do que não é convencional nem imitativo, o autor recorre a uma citação do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, na epígrafe que abre o livro: “Estamos cegos de nós mesmos porque estamos treinados para ver-nos com olhos alheios. Por eles o espelho nos devolve uma mancha confusa e nada mais que uma mancha.”
“Exercício do olhar” foi contemplado com prefácio do poeta e crítico literário Gilberto Mendonça Teles, que coloca Tanussi Cardoso entre os grandes poetas do nosso tempo. Valeu-se nesse sentido de sua longa experiência literária – através de crítica imparcial – a fim de extrair dos poemas o que neles a construção estilística revelou em termos de técnicas e de conteúdo.
Sobre a técnica, Mendonça Teles diz: “A técnica da sintaxe nominal, ou seja, a construção de poemas sem verbos de ação dá ao poeta um poder de contenção admirável, como em “Certas respostas”, por exemplo, em que a estrutura do poema se faz anaforicamente (...). Só no final se introduzem três verbos, ‘acreditar’, ‘creio’ e ‘escrevo’, que servem de pedestal do poema, tal como era comum nos poetas medievais.”
Sobre o conteúdo, não é menos arguto: “A começar pelos títulos dos poemas, mencionem-se ‘Os olhos nos desvãos’, ‘Fotografia’, ‘Retoque no retrato’, ‘Exercício do olhar’ e ‘O olhar ao meio’. Mas, por dentro, no espaço dos textos, o pesquisador encontra imagens do olho/olhar misturadas com a de tempo, nome, cidade, Deus e metalinguagem (...).”
No poema “Exercício do olhar”, seus 61 versos recorrem à anáfora “o olho”. Apesar do uso dessa figura de linguagem – que se caracteriza pela repetição de um mesmo termo ao longo do texto – os versos não perdem a força de ação. O leitor é levado a conviver com palavras de forte impacto conteudístico e a refletir sobre as várias faces do ser no mundo. Ou como define o poema “Como se não fosse adeus”: “não quero escrever sobre paredes. paredes não sangram”.
Volto ao início: quem tem amigos pro que der e vier ou pessoas queridas, é hora de exercitar os sentidos, demonstrando, metaforicamente, os laços que unem corpos e mentes durante a vida. Sem dúvida nenhuma as opções são muitas e as ofertas cada vez mais diversificadas. Uma boa dica talvez esteja nos versos do poema “Embriagai-vos” de Charles Baudelaire: “Tudo está aí, eis a questão. (...) Embriagai-vos sem trégua. Mas de quê? De Vinho, de virtude ou de poesia: a escolha é vossa. (...)”.
*Cacau Leal é jornalista e poeta
Sexta-feira, Setembro 19, 2008
ELZA SOARES É TUDO

DURA NA QUEDA
Chico Buarque
Perdida
Na avenida
Canta seu enredo
Fora do carnaval
Perdeu a saia
Perdeu o emprego
Desfila natural
Esquinas
Mil buzinas
Imagina orquestras
Samba no chafariz
Viva a folia
A dor não presta
Felicidade, sim
O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas
O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas
Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir
Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar
O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol,a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas
O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol,a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas
Domingo, Setembro 14, 2008
Inacabado
É noite
e você sente, quando tudo conspira.
Há um lugar possível entre as coisas
há um qualquer
tempo e espaço em déjà vu
Eu não sei quando foi
não sei o que foi
(pra dizer a impossível verdade,
eu não sei de nada)
mas tudo está ali
entre o improvável
e a forma,
feito coisa.
Quinta-feira, Setembro 11, 2008
Do livro das pequenas mágicas
Onde o fóssil
estreito hábil
caverna feito verbo?
Onde largo, relógio
tangente, frágil
pequeno aflito que nos une?
Lugar de alquimia, desespero
ou miragem?
O que é quem em nós, além?
Quem de nós, em nós
nos ousa Milagres?
Quinta-feira, Setembro 04, 2008
Domingo, Agosto 17, 2008
Sobre a Escrita...

Clarice Lispector
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atrave ssa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.
Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
Simplesmente as palavras do homem.
Texto extraído do site http://www.releituras.com
Quarta-feira, Agosto 13, 2008
Vertentes - Recital de poesia
Recital de Poesia com
Elaine Pauvolid, Márcio Catunda
Ricardo Alfaya, Tanussi Cardoso
participação especial de
Rosa Born, que lerá poemas de Marcio Carvalho
Eles darão uma palinha do que será o novo livro que lançarão juntos!!!
Em 2003, Elaine Pauvolid, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya, Tanussi Cardoso e Thereza Christina Rocque da Motta lançaram Rios, pela Íbis Libris. Agora Elaine, Catunda, Alfaya e Tanussi se lançam num novo projeto, preparando outra coletânea, que contará também com a poesia de Marcio Carvalho (in memoriam).
A idéia dos quatro poetas de produzirem parcerias em poesia é antiga e pretende desenvolver-se cada vez mais, seja através de recitais ou publicações. O grande aglutinador é o poeta Márcio Catunda que, mesmo fora do Brasil, mantém a chama da poesia acesa. Ele virá exclusivamente para o recital.
Você não pode perder!
Os poetas mostrarão, pela primeira vez, poemas elaborados para uma nova antologia - Vertentes - a ser lançada em breve.
Após o recital, haverá palco aberto para você mostrar a sua poesia também.
Para quem não conhece o Barteliê, trata-se de um apartamento muito simpático, com cara de ateliê e bar. Ou é um bar muito simpático com cara de apartamento e ateliê? Você precisa conhecer.
Serviço:
Domingo, dia 17 de agosto a partir das 18h
O Barteliê fica na rua Vinícius de Moraes, 190, apto. 03, Ipanema
(esquina com Nascimento Silva).
Ingresso: R$ 5,00
Terça-feira, Agosto 12, 2008
Sábado, Agosto 09, 2008
A máquina invisível

Tudo o que me faz refém
de mim e do outro
o que me deixa aquém
e todas as uniformidades
tudo de padrão
de poréns
tudo o que me afasta e que retém
tudo que é rima e desafinados
todos os extremos e talvez
tudo de sensato e outro lado
tudo de uma vez
tudo que transborda e depois excede
me vira para onde o que se esgota
como se de repente
tudo fosse vida
inesgotável
de sentidos
formas
e não saber-se
para sempre
Segunda-feira, Agosto 04, 2008
IMPERDÍVEL
Sexta-feira, Agosto 01, 2008
A palavra da boca
Segunda-feira, Julho 28, 2008
Peter Gast
Caetano Veloso
Sou um homem comum
Qualquer um
Enganando entre a dor e o prazer
Hei de viver e morrer
Como um homem comum
Mas o meu coração de poeta
Projeta-me em tal solidão
Que às vezes assisto
A guerras e festas imensas
Sei voar e tenho as fibras tensas
E sou um
Ninguém é comum
E eu sou ninguém
No meio de tanta gente
De repente vem
Mesmo eu no meu automóvel
No trânsito vem
O profundo silêncio
Da música límpida de Peter Gast
Escuto a música silenciosa de Peter Gast
Peter Gast
O hóspede do profeta sem morada
O menino bonito Peter Gast
Rosa do crepúsculo de Veneza
Mesmo aqui no samba-canção
Do meu rock'n'roll
Escuto a música silenciosa de Peter Gast
Sou um homem comum Domingo, Julho 27, 2008
tormenta
Segunda-feira, Julho 21, 2008
E lá se vai o Geraldo Casé...
Domingo, Julho 20, 2008
MOVIOLA, UMA REVISTA SUPERBACANA
Na praia deles, Teatro, Cinema e outros barulhos.
Entre os editores, a jornalista Elis Galvão.
Vale ler, ouvir, dançar:
http://www.revistamoviola.com/
4 x 4

Naomi Conte
Gotejava sobre o ar condicionado do lado de fora da janela, a cortina de um verde puído, Ana limpava as unhas esparramada entre travesseiros sobre a cama de solteiro. Chovia há seis horas, fazia quarenta graus dentro do quarto e no rádio tocava “o meu destino é ser star…”. Se tivesse dinheiro compraria um jipe, um quatro por quatro, chegaria na loja calçando chinelos de dedo, com o dinheiro em cash uma vez na vida. Seria mal atendida por dois ou três vendedores, mascaria chicletes nesse dia, entraria na loja como quem tem um cartão de crédito, com esse ar de felicidade dos comerciais de televisão. Ignoraria os dois ou três atendentes mal educados e invejosos, faria um teste drive com um jipe de cabine aberta e outro, japonês, de cabine fechada, compacto. No balcão, em frente ao vendedor assustado, retiraria da bolsa aberta maços de notas. E com as mãos abarrotadas faria parte da sociedade como uma cidadã respeitável. Saiu à noite durante um mês para concretizar seu objetivo: o jipe. Seu amigo policial J. trataria pessoalmente dos detalhes evitando inconvenientes, um acerto de cinco por cento no final. Impossível, tinha seus brios, gritava Ana com J., um casal de evangélicos era um exagero e soubera disso apenas dois meses depois do contrato assinado. Ele pastor, ela pastora, dinheiro não seria um problema nessa família, mas Ana matara os homens de deus aos dezessete anos com um aborto.
Frustrada a primeira tentativa, Ana foi relembrada por J. e pelas propagandas de acessórios que cor metálica e air bag são ítens opcionais e decidiu-se por um leilão. Foram muitos os interessados na mulher de boa saúde. Seguiu-se uma ficha a ser preenchida por possíveis compradores garantindo um mínimo de idoneidade. Enfim, definiu-se pelo casal na faixa dos quarenta, vegetarianos e ecologistas, trabalhavam numa grande empresa de computadores americana. Conheciam o Brasil de uma breve viagem ao Rio de Janeiro, haviam inclusive feito uma visita guiada às favelas. Via-se logo que tinham preocupações sociais, elocubrava Ana acariciando a barriga. Haviam lido Baumann e gostado muito. Planejavam comprar à prazo um terreno numa ilha artificial no Golfo Pérsico para ajudar a preservar o meio ambiente. Ela, operada de miomas, não podia mais engravidar. O contrato fechado por cinqüenta mil dólares incluía bancos de couro.
Seis meses depois, na sala da concessionária, Ana trocou seu bebê por um jipe tração nas quatro.
Você encontra Naomi Conte no http://www.contosinterditos.blogspot.com/
Muitos aplausos para Dercy Gonçalves!
foto: arquivo Google, s/ref.autorAcho que Dercy merece um carnaval e outras grandes festas populares, daquelas que uma semana nos pareça pouco.
Ter dignidade, honestidade, respeito e coragem de se ser o que se é, fora ou dentro dos palcos, é para poucos. É para transgressores raros, como ela é e para sempre o será. As palavras de Dercy sempre caíram como bombas, ela própria, um campo minado: catucou, leva; ficou parado, leva um soco no estômago também. Longe dela os comerciais de margarina. Sempre sacudiu o plantão da moral e dos bons modos e outras ilhas da hipocrisia.
Aplausos para a sua irreverência que, entre outras, me faz crer que a vida é possível de valores humanos, daqueles que conjugam inteligência e generosidade. Um beijo para a sua alegria e outras admirações, que ao seguir a sua viagem você possa continuar a iluminar as nossas.
Sexta-feira, Julho 18, 2008
A verdadeira arte de viajar

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.\
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
(Quintana in “A cor do invisível”)
Foto: arquivo Google, s/ref.autor.
Terça-feira, Julho 15, 2008
SANDRA GREGO NO LEBLON
Segunda-feira, Julho 14, 2008
Domingo, Julho 13, 2008
Fernando Diniz, MandalaNathalie Loureiro
Diga-me, ó, Magnífica
Tu que és a trilha inexorável
A palavra escarrada
Última e primeira
Diga-me
Já que o vazio é jorrado
E és infinitude espalhada
Aos pés do visível
Diga-me, ó, Magnífica
Tu que és éter ácido e doce
O tempo-mor
Da minúscula alma
Tu que és a simplicidade
Que afronta a existência
Pois não posso tocar
O divino da semente
Diga-me, ó, Magnífica
Tu que és consciência
Das asas do saber
O odor do som primordial
Tu que estás no novo
E no antigo
Tu que dás nome
Ao inexistente
Diga-me, ó, Magnífica
Quem és tu?
Pois posso apenas tocar
A poeira ornada de ouro
Que meus pés largaram
Até agora num oceano
Vulgarmente chamado
Vida

Eu, fragmento de uma sensibilidade que produz um ritmo.
Eu, que vim ao mundo para participar
dessa missa louca com minha doida dança na derrocada dos valores que torturam a alma humana.
Eu, filho do sol.
Eu, forte, belo, irmão do poente.
Eu, dançando, nesses esparsos-espaços
palcos da vida.
Foto: Alex de Souza
Sábado, Julho 12, 2008
Quarta-feira, Julho 09, 2008
(por ele)
Foto: arquivo Google, s/ref. autorOs poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Segunda-feira, Julho 07, 2008
Acho que a briga é outra.

Gente,
tudo se transforma. Sabemos disso, desde o ventre (alguns, até antes).
Não dá mais para fingir que peneiras nos protegem do sol.
Estou falando dos downloads. Sou contra a pirataria, não compro nada pirata. MESMO (pelo menos, que eu saiba).
Porém, baixar alguma coisa que está disponível na Internet é outro assunto.
Não dá mais para negar as convergências, os diálogos que a tecnologia estabelece. É simples e inevitável.
Direito autoral no Brasil sempre foi um fiasco. Chiquinha Gonzaga, que o diga.
Desde o XIX, a arrecadação é boa para os cofres de alguns, menos para os dos artistas (compositores, autores etc.).
Os que se alimentaram e se alimentam com os "supostos direitos" são as grandes indústrias de discos, de livros... Um vampirismo pouca vezes questionado. E também, algumas entidades que se apropriaram das categorias e que, sinceramente, me engasgam de engodo. Pouco sobrou para os que fornecem a matéria-prima: para uns, glamour; para muitos, álcool, sexo, drogas e sargeta!
Só que isso agora está às claras. As indústrias culturais perderam o seu monopólio. E isso está doendo no bolso (deles!). Mas o artista continua perdendo, como sempre. Isso não é de agora. Isso é injusto, desde sempre. Isso é covarde.
Acho que o momento é propício para uma grande transformação. Se todos os provedores que disponibilizam uma banda larga, os que fabricam um computador, os que criam um software, um pen drive, que seja! Se todos os que produzem e vendem toda essa parafernalha que serve de esteio a internautas como eu. Se toda essa indústria das infovias destinar um percentual da sua arrecadação para o artista, o autor, o escritor, o desenhista, o que criou o que está sendo disponibilizado, e seja isso o quer que seja... Se houver um pouco mais de honestidade, dignidade e ética (e isso só será possível sem os atravessadores profissionais, por favor).
Talvez eu visite Clementina de Jesus lá na sua casa própria, talvez eu veja Rosinha de Valença rodeada de conforto, talvez Cartola me pague uma cerveja e a gente não precise mais botar a vida no prego.
Sábado, Julho 05, 2008
A minha casa

Gosto de saber quem me procura.
Como inspiração ou lampejo e outras coisas esquisitas.
Gosto daqueles que chutam a porta da geladeira
entre outras delicadezas.
Pode trazer música, flor, cerveja, vento, sashimi, sopa ou chuva (meus preferidos).
Mas intimidade tem autonomia, ela própria se estabelece.
Cabe a mim
morrer de amor, de susto ou de vazio.
05.07.2008
Segunda-feira, Junho 30, 2008
MORRO DO QUE HÁ NO MUNDO
Morro do que há no mundo:
do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas:
com lembranças amadas,
porém desesperadas.
Morro cheia de assombro
por não sentir em mim
nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência
fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.
(Poesias completas de Cecília Meireles)
Sábado, Junho 28, 2008
TANUSSI CARDOSO & CARMEM MORENO NO GLAUCIO GIL

Olá,
Será um prazer recebê-los no evento TERÇA CON (VERSO) NO CAFÉ, quando lerei poemas e trechos do meu livro de contos O Estranho.
TERÇA CON(VERSO) NO CAFÉ: Próxima terça (01/ 07),Teatro Glaucio Gill, às 18:30h.
Convidados:
Carmen Moreno
Helena Parente Cunha
Grupo Poesia Simplesmente (organizador do evento)
Teatro Glaucio Gill: Praça Cardeal Arcoverde - ao lado do metrô (Copacabana).
Quem quiser conhecer minha poesia visite, por favor, o site:
http://www.almadepoeta.com
Abraços,
Carmen Moreno
Tanussi Cardoso
Um pouco de mim, em:
www.almadepoeta.com/poetasemde
Terça-feira, Junho 24, 2008
Sábado, Junho 14, 2008
Terça-feira, Junho 10, 2008
Coisas do Mário
Mário Quintana
Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...
Domingo, Junho 08, 2008
Terça-feira, Junho 03, 2008
Do livro de mágicas
Segunda-feira, Junho 02, 2008
PARABELO - Tom Zé e Zé Miguel Wisnik (1997)
Um dos discos mais lindos da vida!
Sobre o Grupo Corpo, Tom Zé e Zé Miguel Wisnik não há o que eu consiga dizer.
Tive o deslumbramento de assistir, ouvir, sentir isso tudo junto em 2003, no Inverno Cultural da mágica São João del Rey.
Tenho o privilégio de adorar o Tom Zé: é raiz do cabelo. De me permitir todos os encantamentos e desmantelos com a obra do Wisnik e, meu Deus do céu... ainda tem o Siba que participa do disco e que conheço de garoto e que já tocamos juntos em tãos bons momentos!
Inenarrável.
Seria mais bobagem dizer qualquer coisa, além disso. Simplesmente, ouçam.
PARABELO
(1997)
Fabricado por Microservice
Apoio Ministério da Cultura, Pronac e
Mininstério das Comunicações
Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
Grupo Corpo, 1997
Músicas
1. Emerê 4:18
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Vozes: Tom Zé
Violão: Gilberto Assis
Rabeca: Siba
Teclado: Zé Miguel Wisnik
Pilão: Paulo Tati
2. Emoremê 4:47
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Vozes: Tom Zé, Zé Miguel Wisnik, Luanda, Nilza Maria
Bandolim: Jarbas Mariz
Guitarra: Marco Prado
Percussão: Marcos Suzano
3. Assum branco 4:16
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Piano: Zé Miguel Wisnik
Violão: Gilberto Assis
Sanfona: Toninho Ferragutti
4. Baião velho 5:08
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Vozes: Tom Zé, Zé Miguel Wisnik e Paulo Tatit
Violão, Baixolão, e Baixo: Gilberto Assis
Violão: Marco Prado
Rabeca: Siba
Percussão: Marcos Suzano
Fonte (serrote): Paulo Tatit
5. Uauá 3:00
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Vozes: Luanda, Nilza Maria Fontes
(apito, gaita de chaveiro, garrafas): Gilberto Assis
6. Canudos 4:09
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Bandolim:Jarbas Mariz
Guitarra: Marco Prado
Baixo: Gilberto Assis
Rabeca: Siba
Teclados: Zé Miguel Wisnik
Bateria:Lauro Léllis
Percussão: Marcos Suzano
Vozes: Luanda, Nilza Maria
7. Bendegó 4:15
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Voz e assovios: Tom Zé
Violões: Paulo Tatit e Alê Siqueira
Guitarra: Marco Prado
Baixo: Gilberto Assis
Teclado: Zé Miguel Wisnik
Bateria: Lauro Lellis
Percussão: Marcos Suzano
8. Cego com cego 4:09
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Vozes: Gilvanete Rocha Silva, Nà Ozzetti, Luanda, Nilza Maria, Tom Zé,
Zé Miguel Wisnik
Viola e Rabeca: Siba
Piano: Zé Miguel Wisnik
Fontes (cordas esfregadas, cincerros): Paulo Tatit, Alê Siqueira, Zé Miguel Wisnik
9. Xiquexique 7:14
(Tom Zé e Zé Miguel Wisnik)
Vozes: Arnaldo Antunes, Nà Ozzetti, Luanda, Nilza Maria,
Tom Ze, Zé Miguel Wisnik, Paulo Tatit Sanfonas.: Toninho Ferragutti
Violão e Baixolão: Gilberto Assis
Bandolim: Jarbas Mariz
Guitarra: Marco Prado Percussão: Marcos Suzano
Fontes (bochexaxado, bexiguinha no dente): Tom Zé, Neto
Arnaldo Antunes gentilmente cedido
pela BMG Brasil Ltda.
Piano acústico nas faixas Assum branco e Cego com cego
gravado no Estúdio Panorama - UNESP/FASM
Gravado no Estúdio Rosa Celeste, São Paulo ,
de janeiro a março de 1997
Produção musical com participação
na confecção dos arranjos:
Paulo Tatit e Ale Siqueira
Produção Executiva: Grupo Corpo
Agradecimentos
Neusa Martins e Laura Vinci,
Guilherme Wisnik, grupo Mestre Ambrósio,
Márcio Soares, José de Siqueira e Silva,
D. Lina Tatit, Raulinda, Agostinha.
Foto Capa e Encarte:
José Luiz Pederneiras
Projeto Gráfico:
Lúcia Nemer e Guilherme Seara
Ficha Técnica
Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
Cenografia: Fernando Velloso e
Paulo Pederneiras
Figurino: Freusa Zechmeister
Iluminação: Paulo Pederneiras
Sábado, Maio 31, 2008
anotações sobre a ponte

Imagem: Arquivo Google, sem referência autor
Texto: Cláudia Ferrari
Eu gostaria de conviver com o ótimo
de mim e do outro
com o lindo
o Divino
o lúdico
coloridos e transparências
permeando os inteiros
mas é essa a minha maior ignorância que observo, estupefato,
entra tantas
afinal, no antes e depois e durante,
a gente se esvazia e se enche como a lua
de paciência, aparência ou quimera.
Quinta-feira, Maio 29, 2008
NOVA VISÃO
Tarô Osho Zen : Arcanos Maiores12. Nova Visão | ![]() |
Osho Zen: The Diamond Thunderbolt Chapter 9 Comentário:A figura desta carta está nascendo de novo, emergindo de suas raízes presas a terra e criando asas para voar em direção ao ilimitado. As formas geométricas em volta do seu corpo mostram as muitas dimensões da vida que estão simultaneamente ao seu alcance. O quadrado representa a parte física, o que está manifesto, o conhecido. O círculo representa o não-manifesto, o espírito, o espaço puro. E o triângulo simboliza a natureza trina do universo: o manifesto, o não-manifesto, e o ser humano que contém a ambos. |
Domingo, Maio 25, 2008
Foto: Arquivo Google, sem referência autor(me parece que a autora é Ana Paipita, pelo que leio na assinatura no cromo).
Texto: Cláudia Ferrari
intensidade, busca e afastamento
achados ou perdidos
foram com o vento
uma modalidade
existiam outras
experimentou-se de impossível
e outros abismos
também era aquático
quântico e malemolente
dançou sem chinelos
arrastou cadeiras
escorregou em neve
um dia desses
tudo ia ser diferente
Sexta-feira, Maio 23, 2008
Domingo, Maio 18, 2008
PANELA DI BARRO, A BOA MISTURA DO SAMBA E CHORO
Fotos:Cláudia Ferrari



Em sentido horário
Foto 1 - Bruno Garcia, André Mendes,
Valdir Ribeiro e Pedro Castro
Foto 2 - André Mendes
Foto 3 - Pedro Castro
Foto 4 - Valdir Ribeiro
Foto 5 - Bruno Garcia
Grupo de Santa Teresa anima as noites
no centro do Rio
Por Cláudia Ferrari
Colaborou: Nelma Gomes
Eles cantam e tocam Noel Rosa, Lamartine Babo, Geraldo Pereira, Adoniran Barbosa, Assis Valente e Nelson Cavaquinho, entre outras iguarias da MPB. E compositores do bairro de Santa Teresa, como Robertinho dos Anjos, Regina Rocha e Tio Doca, desconhecidos pelo grande público, quase inéditos, mas muito populares nas rodas de samba e choro do Rio de Janeiro. Eles são o Panela di barro, grupo de samba e choro que promete contemplar os paladares dos amantes da boa música brasileira.
O convívio diário de um grupo de amigos músicos no boêmio bairro de Santa Teresa, o bate-papo por suas ladeiras, praças e vielas; o violão no final das noites pelos bares, principalmente, no saudoso “bar da Deusa”, que contava com a presença constante de Tio Doca, Tia Zilda, Regina Rocha, Luizinho Sete Cordas, Robertinho dos Anjos e outros músicos ilustres. Em comum, a amizade, a camaradagem e o amor pela música. Não deu outra: em 2002, nasceu o grupo que, tempos depois, batizado pelo artista plástico João Martins, viria a ser o Panela di barro.
Na atual formação, eles são quatro: André Mendes (violão de sete cordas e voz), Bruno Garcia (cavaquinho e voz), Valdir Ribeiro (surdo e voz) e Pedro Castro (pandeiro e voz). As idades variam entre 23 e 55 anos, prova de que a música não só é cúmplice do tempo, mas também agrega a diversidade das gerações.
O trabalho fundamenta-se na pesquisa das obras dos compositores Ari Barroso, Assis Valente, Geraldo Pereira, Noel Rosa, Cartola e Nelson Cavaquinho, para citar alguns. Essa é a base do repertório do Panela, samba e choro das décadas de 1930, 1940 e 1950, principalmente. Mas no repertório não faltam nomes do quilate de Martinho da Vila, João Nogueira e Roberto Ribeiro. Eles também fazem questão de apresentar compositores quase inéditos, não por acaso, moradores de Santa Teresa. “Esses músicos são nossas referências musicais: Robertinho, Regina, Tio Doca, Luizinho, sempre estimularam a criação do nosso grupo”, revela o violonista André Mendes.
O Panela já contabiliza cinco anos de existência, inúmeras apresentações no Rio de Janeiro e em outras cidades mas, a curto prazo, não há perspectivas para a gravação do primeiro CD. “Os shows são a única fonte de renda de todos os componentes do grupo. Estamos tocando bastante, em vários lugares, mas produzir um CD independente envolve um custo muito alto, esse projeto ainda está distante na nossa pauta”, constatam.
Com uma tímida e esporádica aparição na mídia, as principais ferramentas de divulgação do trabalho do grupo são, segundo seus componentes, o chamado “boca a boca” e a internet. Mas a agenda de shows está lotada: congressos, festas de empresas, aniversários e outros eventos fechados. Atualmente, cumprem temporada, ao lado do compositor Bira da Vila, no Bar CBF - Avenida do Chopp, na tradicional Praça Tiradentes e mensalmente, ocupam o Largo do Curvelo, em Santa Teresa.
ONDE CURTIR
Roda de Samba com Panela di Barro e Bira da Vila,
participação especial Mingo (voz e percussão)
Bar CBF - Avenida do Chopp
Todas as quartas-feiras, a partir das 20h
Praça Tiradentes, 83 (ao lado da Gafieira Estudantina)
Couvert Artístico: R$ 10,00
Informações e Reservas: 2232 3215
Roda de Samba e Choro
Largo do Curvelo, Santa Teresa
Todo primeiro domingo do mês, das 18h às 22h (se São Pedro ajudar)
Entrada franca
Quinta-feira, Maio 15, 2008
SANDRA GREGO, VALE (MUITO) CONFERIR!
foto: arquivo pessoal da artista, s/referência autorAGENDA DE SHOWS
quinta-feira (apresentação quinzenal)
BAR DA GRAÇA
Rua Pacheco Leão, N° 780 - Jardim Botânico - RJ
a partir das 20h
Aos sábados
SEVERYNA DE LARANJEIRAS
Rua Ipiranga, n° 54- Laranjeiras - RJ
a partir das 21h
Aos domingos
SEVERYNA DE LARANJEIRAS
Rua Ipiranga, 54 - Laranjeiras - RJ
a partir das 13h
OUÇA O CD
ASSISTA O VÍDEO
CONHEÇA UM POUCO MAIS A ARTISTA
www.myspace.com/sandragrego
ENSAIO ABERTO
- SANDRA GREGO E OS TROIANOS -
Canjas
Terça-feira (quinzenal)
SABOR DA MORENA
Rua São Manuel, 43- Botafogo - RJ
Referêcia: Rua da Passagem
a partir das 19h
Sandra Grego e os Troianos
Dia 06 de junho - BAR DO FRANK
RUA Angélica Motta com Euletério Motta
(próximo ao Hospital Balbino e da Estação de Olaria)
(21)2562-0722
Sexta-feira - 22:00h
DICA DO POETA TANUSSI CARDOSO É PARA CONSIDERAR (SEMPRE!).
têm o prazer de convidar seus associados, familiares e amigos
para um evento maravilhoso a ser realizado nos dias 08, 09 e 10 de agosto deste ano: trata-se do
Sarau na Serra – Um Encontro com a Poesia
Excursão ao Hotel Recanto das Hortênsias, em Passa Quatro, MG, na Serra da Mantiqueira
Com direito a:
Hotel quatro estrelas com pensão completa (café da manhã, almoço e jantar);
Programação noturna na sexta (08/08) e no sábado (09/08) – jantar dançante com orquestra;
Música ao vivo na piscina, no sábado e no domingo antes do almoço;
Sauna, quadras de esporte e amplos jardins do hotel;
Recital de poesia no sábado à tarde, após o almoço, no palco do Recanto das Hortênsias;
Visita à cidade de Passa Quatro, com possibilidade de ida a São Lourenço (a 30 minutos de Passa Quatro);
Compras de artigos de vestuário, doces e vinhos em Passa Quatro;
Ônibus de luxo com serviço de bordo, sorteios e bingo;
Duas paradas no trajeto.
Saída do Rio às 9h de 08/08, com ponto de encontro em frente ao SEERJ (Av. Paulo de Frontin, 353, Tijuca)
Chegada prevista no hotel: 16h
Retorno no domingo (10/08), após o almoço, com chegada prevista ao Rio às 20h.
O SEERJ reservou esta oportunidade para você! INSCREVA-SE JÁ!
Apenas 44 LUGARES.
SOMENTE 3 pagamentos de R$ 115,00 (cento e quinze reais) para os dias 29/05, 30/06 e 30/07/2008.
REUNIÃO GERAL no dia 29/05/2008, quando se dará o primeiro pagamento, caracterizando-se a inscrição, e deverá ser feita a entrega dos dois cheques pré-datados para os outros pagamentos.
Na oportunidade, esclarecimento de dúvidas e confirmação do passeio.
NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE RESERVAS! Porque são apenas 44 lugares!
Contatos com a Coordenadora do evento: MARIANGELA MANGIA
21-81868807; 21-24387105; 21-24914972
Realização: SEERJ
Segunda-feira, Maio 12, 2008
IV SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS DA LINGUAGEM

- óleo - coleção particular Pintado por Geoff Hunt, R.SM.A.,
por encomenda do Dr. Kenneth H. Light.
24, 25 e 26 de junho de 2008
Unioeste - Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Local: Auditório do campus de Cascavel
Apresentação
O tema do nosso IV Seminário Nacional de Estudos da Linguagem gira em torno da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil e dos desdobramentos lingüísticos desse impacto causado pela presença da corte na colônia.
Com a chegada da família real ao Brasil, há 200 anos, o idioma português se torna símbolo de unidade, no entanto, não deixa de exprimir a diversidade da sua formação.
Quando a família real portuguesa concluiu sua aventurosa travessia atlântica e desembarcou no Rio de Janeiro, em 8 de março de 1808, trazia consigo costumes e uma tradição que não se exprimia apenas em roupas elaboradas, rapapés cansativos ou cerimônias suntuosas. Era antes na ponta da língua que Portugal, abandonado às pressas, ainda se manifestava, de forma mais corriqueira e insistente, do lado de cá do oceano.
Ao pensar nas léguas que os separavam de Lisboa, os nobres portugueses talvez se consolassem com pensamentos semelhantes àqueles que um conterrâneo ilustre assim resumiria muitos anos depois: "A minha pátria é a língua portuguesa". De maneira talvez um pouco invertida, a idéia desta famosa frase de Fernando Pessoa já parecia orientar, no século XVIII, estas políticas que o Marquês de Pombal mandava aplicar na vasta colônia do lado debaixo do Equador.
Em meados dos Setecentos, o Brasil era uma babel tropical em que o português já predominava, mas ainda convivia rotineiramente com outros inúmeros idiomas usados nas conversas de indígenas, africanos e europeus. Em 1757, Pombal proibiu que se falasse outra língua que não o português, e fez dele matéria de ensino obrigatório nas escolas, onde antes se aprendia basicamente a gramática latina.
Assim, procurava garantir pela difusão da língua a integridade territorial dos domínios ultramarinos da coroa. A vinda da corte, em 1808, assentaria de vez essa institucionalização. A palavra escrita também se difunde por meio das publicações da Impressão Régia e do ideal de ilustração simbolizado pela Real Bibliotheca, vinda de Lisboa.
A chegada da família real produziu um feito de representação da unidade. A língua portuguesa, assim, se torna símbolo importante da união nacional, mas nem por isso deixou de exprimir a diversidade da nossa formação.
Comissão Organizadora
Coordenação:
Prof. Dr. Alexandre Sebastião Ferrari Soares
Vice-coordenação:
Profª. Ms. Ruth Ceccon Barreiros
Colaboradores:
Profª. Ms. Alessandra Ribeiro
Profª. Ms. Ana Maria Marques Palagi
Profª Drª. Aparecida Feola Sella
Prof. Ms. Aquiles Tescari Neto
Profª. Ms. Benilde Schultz
Profª. Ms. Carmem Baumgartner
Profª. Ms. Clarice Braatz Schmidt
Profª. Ms. Clarice Corbari
Profª. Ms. Greice Castela
Prof. Dr. José Carlos Aissa
Profª. Ms. Luciane Thomé Schröder
Profª. Ms. Marlene Neri Sabadin
Profª. Ms Rosana Becker Quirino
Profª. Ms. Rosemary Zanette
Profª. Ms. Rose Maria Belim Motter
Profª. Ms. Salete Paulina Machado Sirino
Profª. Drª. Terezinha da Conceição Costa Hübes
Profª. Drª. Valdeci Batista de Melo Oliveira
Profª. Ms. Wilma dos Santos Coqueiro
http://www.unioeste.br/eventos/seminarionel/
Sábado, Maio 10, 2008
Sexta-feira, Maio 09, 2008
ANATOMIA
Segunda-feira, Maio 05, 2008
CÂNTICO XXVI
AQUELE QUE APROXIMA OS QUE SEMPRE ESTARÃO

Cecília Meireles
Aquele que aproxima os que sempre estarão
distantes e desunidos
e separa os que pareceriam
para sempre unidos e semelhantes
enxuga meus olhos
no alto da noite de mil direcções.
Encostada a seu peito,
contemplo desfigurada
o negro curso da vida
como, um dia,
do alto de uma fortaleza
vi a solidão das pedras milenares
que desciam por suas arruinadas vertentes.
Sábado, Maio 03, 2008
O PAPEL DA CLASSE INTELECTUAL
foto: arquivo Google, s/referência autorOscar Quiroga
Data estelar: Mercúrio e Saturno em quadratura;
Lua se aproxima da fase Nova, ainda transitando por Áries.
Enquanto isso, aqui na Terra as forças agressoras e retrógradas, que pretendem forçar a espécie humana a se submeter ao poder totalitário, infundem temor e separatividade, para depois posarem de salvadoras. Até agora, estas forças totalitárias foram escoradas pela classe intelectual, que tinha a boa intenção de criar um poder maior daquele que um dia a oprimiu.
Porém, este caminho foi um fracasso, pois a militância da cobiça se impôs e, assim, os ideais elevados se perderam de vista. Porém, a classe intelectual se inclina agora para a manifestação espiritual, pois esta sim, é provedora da liberdade ansiada. A espiritualidade não se resume às expressões religiosas, mas se estende a toda atitude que promova beleza, bem-estar, justiça, educação e relacionamentos corretos.
Quarta-feira, Abril 30, 2008
ESTRANHEZAS
Cláudia Efe
as coisas da vida
vêm no outono
a luz do sol
a cor e transparência dos dias
um certo jeito do vento
a chuva
ah, a chuva…
e a eternidade da trama
de outros possíveis
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Quarta-feira, Abril 23, 2008
ORAÇÃO DE SÃO JORGE (Salve, Jorge!)

Terça-feira, Abril 22, 2008
DIA DE JORGE
Com amor no coração
Preparamos a invasão
Cheios de felicidade
Entramos na cidade amada
Peixe Espada, peixe luz
Doce bárbaro Jesus
Sabe quem é otário
Peixe no aquário nada
Alto astral, altas transas, lindas canções
Afoxés, astronaves, aves, cordões
Avançando através dos grossos portões
Nossos planos são muito bons
Com a espada de Ogum
E a benção de Olorum
Como num raio de Iansã
Rasgamos a manhã vermelha
Tudo ainda é tal e qual
E no entanto nada é igual
Nós cantamos de verdade
E é sempre outra cidade velha
Domingo, Abril 13, 2008
Quarta-feira, Abril 09, 2008
Errática
Domingo, Abril 06, 2008
A REBELDIA

OSCAR QUIROGA
Data estelar: Vênus ingressa em Áries e faz quadratura com Plutão; Lua Nova em Áries será também Vazia, das 12h02 às 22h21, horário de Brasília.
Enquanto isso, aqui na Terra é propício que nossa humanidade abandone a indolência com que trata o assunto mais importante, que é a própria Vida, pois mesmo fingindo que nada demais acontece, no íntimo ela sabe que num futuro bem próximo não poderá contar mais com o abrigo e proteção da normalidade, pois todos experimentaremos o que significa um tempo de exceção.
É inevitável que a Cultura humana se reinvente, e também que isto seja um processo dolorido, não porque assim deva ser, mas porque a indolência e o comodismo provocam este atrito, ao passo que a ousadia e rebeldia aceleram e facilitam este processo. Que rebeldia é esta? A de parar de reproduzir hábitos e costumes que promovam o confinamento do espírito e a diminuição da liberdade de criar e de reinventar-se.
Sexta-feira, Março 14, 2008
há anos não dava
corda no relógio.
era meio da noite
quando comprou uma réplica barata
de um relógio de bolso
da França do XVIII.
Não voou com os Iluministas,
foi direto pra casa da avó
e, destemida,
devorou pacotes de biscoito globo
e outros dias de acordar cedo.
fez o que pode com o tempo
e o som da corda de um relógio.
Domingo, Março 02, 2008
TUNICO FERREIRA & BANDA, PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE NELSON SARGENTO


Na próxima quarta-feira, dia 5 de março, a partir das 21h, TUNICO FERREIRA & BANDA (Alceu Maia, Jorge Gomes, Walace Peres, Leandro Vasques e Victor Neto) recebem NELSON SARGENTO, no Bar do Tom.
O Bar do Tom fica na rua Adalberto Ferreira, 32 - Leblon. Reservas: 2274 4022.
Mais informações:
Cláudia Ferrari
(Assessoria de Imprensa)
9792 0099 ou 8152 1529
Domingo, Fevereiro 24, 2008
TUNICO FERREIRA NO BAR DO TOM

Na próxima quarta-feira, dia 27 de fevereiro, a partir das 21h, tem show de TUNICO FERREIRA e banda (Alceu Maia, Jorge Gomes, Walace Peres, Leandro Vasques e Victor Neto) no Bar do Tom.
O convidado super especial é Luís Carlos da Vila.
O Bar do Tom fica na rua Adalberto Ferreira, 32 - Leblon telefone 2274 4022.
Assessoria de Imprensa:
Cláudia Ferrari
9792 0099 ou 8152 1529
Domingo, Fevereiro 17, 2008
Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Cláudia Efe
Concha no ouvido
Camada lenta
Cascas de cebola
O pensamento
como
uma trilha aérea
Pinguelas e outras travessias
Gemidos de águas e canções delas
Lembranças do vento
Som sobre som
E nada se fala
E tudo é a grande orquestra
não importa
Horas de céu e inferno
Encobrem qualquer intenção do sentido
O homem agora é uma varanda
Uma rede que balança
Uma casa povoada
Uma mulher nua
É o agora
Abarrotado de antes e depois
levita
Chega a ficar rouco
De tanto riso, de tanto rumo
Nem cai lágrima
Descobriu-se de possível
De alentos e outras gratidões
perdeu a gravidade
É nave entre as nuvens
Está entre seus próprios dedos
Navega com suas próprias narinas
E boca
E explode
Num big bang
De particularidades
Terça-feira, Fevereiro 05, 2008
DIÁRIO DE BORDO
POR QUE?
Data estelar: Sol e Mercúrio em conjunção; Lua minguará Vazia até 17h11, quando ingressará no signo de Aquário.
Enquanto isso, aqui na nave Terra nossa humanidade sabe que tem obrigação de conhecer a Verdade, e ainda mais, reconhece a necessidade urgente de colocar a Verdade em prática. Neste sentido, ela tem tudo ao seu favor, tecnologia, comunicação e informação, porém, carece do mais importante, de vontade de buscar a Verdade, e porque carece de vontade acaba se contentando com uma série de preconceitos que carrega desde a infância, opiniões ridículas e vãs que passam por normais, mas que prejudicam sua relação com a Vida, porque limitam a consciência, limitam sua atividade e confinam a alma num espaço-tempo infinitamente aquém do merecido. A ignorância auto-imposta conduz a um abismo terrível, nossa humanidade sabe disto, mas mesmo assim insiste em preservá-la. Por que?
Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008
CRU TECNOLÓGICO
Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
Domingo, Janeiro 06, 2008
Sábado, Janeiro 05, 2008
Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
O seu lado de cá

Nando Reis
Na minha frente eu vejo o mar
Na frente do mar está a ilha
Na minha frente eu vejo o mar
Na frente do mar está a ilha
Lá onde nasce o dia
Lá onde cresce o mar
Longe o mundo, a ilha
Vendo o seu lado de cá
Pelo seu lábio de maré
Deixo o seu nome chamar
Até ter fim
ouvindo
ter é como...
Domingo, Dezembro 30, 2007
CERTEZAS E INCERTEZAS

Oscar Quiroga
30.12.2007
Data estelar: Vênus ingressa em Sagitário, Sol e Saturno estão em trígono; Lua é quarto minguante no signo de Libra.
Enquanto isso, aqui na nave Terra a humanidade é destinada à incerteza, pois se assim não fosse ela não poderia luzir seu intelecto. Porém, de tempos em tempos se pode confiar em algumas certezas, e uma das atuais é que o mundo como a gente o conhece tem pouca sobrevida, o próximo ano é o último da normalidade. Depois, as coisas começarão a decair inexoravelmente até o ponto em que tenham de ser substituídas por novas formas de relacionamento social, cultural e econômico. O que vem depois? É mistério, por enquanto, e é assim porque nós desconhecemos a maior parte do que significa viver. A vida age de acordo com um plano, e por enquanto nós o desconhecemos, mas o intuímos como sendo de grande beleza e inteligência, onde o amor é, definitivamente, o maior tesouro.
Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
AUDIÇÃO PARA CONTRATAÇÃO DE BAILARINOS
para contratação de bailarinos profissionais que tenham interesse em
fazer parte da companhia.
inscrições: 28/01 até 14/02 (ambos os sexos)
taxa de inscrição: R$ 10,00
idade: nascidos em 1984 até 1990
vagas disponíveis: 3 (podendo ou não serem preenchidas)
os candidators deverão ter excelente domínio em dança clássica
data da audição: 16/02/2008
local: Escola do Teatro Bolshoi no Brasil
Av. José Vieira - 150 - Centreventos Cau Hansen - Joinville/SCEsta
Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
rascunho

imagem.arquivo Google, sem referência autor.
Claudia Efe
eu quero um silêncio
depois de outro
do contrário, só música
faço barcos de papel, solto pipas sem cabresto
e desenho nuvens gordas e tortas.
tudo é imaginário
sou apenas um traço
sou como o outro
também sem rumo e sem arte.
O que mesmo me pedias, do mesmo que falavas?
o vento anda forte, náufrago de moinhos...
quem mandou pedir, desejar
quem me trouxe de volta
quem de ponta cabeça
espera um qualquer sentido?
Hoje eu quero me impregnar de
Destino
Quarta-feira, Dezembro 19, 2007
PEQUENO POEMA PARA QUEM
Domingo, Dezembro 16, 2007
Wal - Missa de 7° dia do Querido
Divinópolis - Minas Gerais
Dia 20 de dezembro, quinta-feira, 19h.
WAL
Domingo, Novembro 25, 2007

Rainer Maria Rilke
TEM PACIÊNCIA
COM TUDO NÃO RESOLVIDO EM TEU CORAÇÃO
E
TENTA AMAR AS PERGUNTAS
EM TI
COMO SE FOSSEM
QUARTOS TRANCADOS OU LIVROS ESCRITOS
EM IDIOMA ESTRANHO
NÃO PESQUISES EM BUSCA DE RESPOSTAS
QUE NÃO PODEM SER DADAS,
PORQUE TU NÃO PODES VIVER
E TRATÁ-TE DE VIVER TUDO
VIVE AS GRANDES PERGUNTAS AGORA.
TALVEZ NUM DIÁLOGO LONGÍNQUO
SEM O PERCEBERES
TE FAMILIARIZARÁ COM A RESPOSTA
Domingo, Novembro 04, 2007
Sábado, Novembro 03, 2007
GUERRA DE AVANÇO, GUERRA DE ATRASO.

Oscar Quiroga
LUA VAZIA
Data estelar: Sol e Marte em trígono; Lua quarto minguante será Vazia até 10h46, horário de verão de Brasília, quando ingressará em Virgem.
Enquanto isso, aqui na nave Terra hoje é uma ótima oportunidade para nossa humanidade enfrentar um inimigo. Contudo, e apesar de o tempo ser propício, como nossa humanidade anda desnorteada, confusa e agressiva à toa, é provável que ela use a força para se meter em problemas, e não para finalizá-los.
É normal que as pessoas se tratem mal mutuamente, como se umas fossem estorvos para as outras. Pois é, esta mesma atitude de agressão poderia ser virtuosamente focalizada, por exemplo, para contrariar algum vício, e dar-lhe fim.
Nossa humanidade é atormentada por si mesma, pois tudo, em seu destino, é resultado de suas decisões.
A força da guerra é hoje disponível, para algumas almas isto significará avanço, mas para outras, a mesma força significará retrocesso.
http://www.astrologiareal.com.br/
Sexta-feira, Novembro 02, 2007
Sábado, Outubro 27, 2007
Saindo para Suas Aventuras (1956).
Lápis de cor sobre cartão.

Cláudia Efe
chove chuva fina
telhados escorrem
na cidade molhada
hoje não é dia de metrópole
comemoram-se madrugadas
lê-se a carta de um país distante
enquanto balança
o pingente vermelho na porta
o preto e branco das horas
o olhar nem antecede, nem ultrapassa
os fios costurados do tempo
e outras malhas
trânsito intenso de tecidos
nem transborda, nem vaza
nem se vê que ali, é água.
Quem se arriscaria a cometer incêndios?
Domingo, Outubro 21, 2007
FEITO MISTÉRIO
Sábado, Outubro 20, 2007
RAÇA

imagem: arquivo Google,sem referência autor
Milton Nascimento e Fernando Brandt
Intro: (A B D F) (A B A F#m D/E)
A B A F#m D/E
Lá vem a força, lá vem a magia, que me incendeia o corpo de alegria.
A B A F#m D/E
Lá vem a santa, maldita euforia, que me alucina, me joga e me rodopia.
A B A F#m D/E
Lá vem o canto, o berro da fera, lá vem a voz de qualquer primavera.
A B A F#m Bm7 E
Lá vem a unha rasgando a garganta, a fome,a fúria, o sangue que já se levanta.
A B A F#m Bm7 E
De onde vem essa coisa tão minha, que me aquece e me faz carinho ?
A B A F#m Bm7 E
De onde vem essa coisa tão crua, que me acorda e me põe no meio da rua ?
A B A F#m E
É um lamento, um canto mais puro que me ilumina a casa escura.
A B A F#m E
É minha força, é nossa energia que vem de longe prá nos fazer companhia.
A B A F#m E
É Clementina cantando bonito as aventuras do seu povo aflito.
A B A F#m Bm7 E
É seu Francisco, boné e cachimbo, me ensinando que a luta é mesmo comigo.
G C D C A F/G
Todas Marias, Maria Dominga, atraca Vilma e Tia Hercília.
C D C Am F/G E A
É Monsueto e é Grande Otelo. Atraca, atraca que o Naná vem chegando.
Quarta-feira, Outubro 17, 2007
Domingo, Outubro 07, 2007
Para ler em atitute espiral
Quarta-feira, Outubro 03, 2007
Domingo, Setembro 30, 2007
Em pé
Sexta-feira, Setembro 07, 2007
Bons ventos no Leblon
Dia 27 de setembro às 21h
Esch Café Leblon
Rua Dias Ferreira 78 - A
Leblon . RJ
Informações: (21) 512.5651
Quarta-feira, Setembro 05, 2007
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Sexta-feira, Agosto 31, 2007
Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Sábado, Agosto 25, 2007
O domingo, 2 de setembro, é do CÉSAR SANCHES, em Santos!
PARTITURAS


























































