Segunda-feira, Março 05, 2012

liberdades

C. Ferrari em terras de PESSOA


O frio é decisivo
impera o vinho
e conjuga de queijos e azeites
a liberdade

Terça-feira, Dezembro 13, 2011

Bondinho 113

Cristina da Costa Pereira




Curvas, tilintares, cheiros e cores
mescla de sentidos
quase um transporte alado
revela sinuoso pelos trilhos
pernas, dorsos, bocas e casario antigo.

E que delícia de paquera
quando cruza com um outro bondinho!

Ah, lá vem ele
música pros ouvidos
ritmo pro coração
às vezes, solta fogo pelos fios.

Passeiam pelos meus olhos
o lirismo de Vicente Maiolino, a graça de Mavy no
La Vereda, a Ângela do Mineiro,
restaurantes e botecos, um ectoplasma
transformado em Dinorah e o tremor quebradiço
de sua sanfona, a luz de Renan Cepeda
Convento das Carmelitas, Chazinho, poesia e Carnaval
Marcílio Barroco das Neves, a linda Violeta,
minha brilhante ex-aluna, um filho em cada quadril,
bancos de praças, cachorros vira-latas,
profusão de jasmineiros, trepadeiras transgressoras,
a Telma da Cassiano (lembrança de Jorge Rodrigues),
uma corte de damas da noite, a oficina do Getúlio,
a sutileza da Tizuko, a Sonia Abayomi,
Valter “Nijinski” Rodrigues, o glamour da Sonia Otero,
surdos e cores da Delfina, cantiga da Cláudia Ferrari,
aceno do Arnaudo (lembrança do Farah),
pandeiro do Fabinho, o umbigo enterrado da Tânia
no solo sagrado de Santa Teresa, as diáfanas
costuras da Rita, o bailado dos meninos no estribo,
o tai-chi da Ilma, os anjos da Jemile
(lembrança de Manuel Bandeira),
Paulo e Sérgio em sambalanços coletivos,
Dolores e sua sangria, a arte alquímica da Cristina Felício,
ponte Rio-Niterói, o relógio da Central, o violão da Regina.

A Lapa lá embaixo Tá na Rua
e a baía de Guanabara derramada.

Um gato passou correndo
na rua Joaquim Murtinho
talvez seja o da Martha Pires,
aquele que vive fugindo.

Viro o rosto pro outro lado
e vejo em xale a Ana Lúcia
entrando no Alto Lapa Santa
os orixás, em seguida.
Dou tchau pras Velhinhas de Santa
que vinham do bar do Serginho
pra Estação do Curvelo
ouvir o Panela di Barro
tocar o seu samba rasgado
e algumas canções brasileiras.

Na altura do Guimarães
chegam música do Marcô
cheiro de sonho da padaria
Rosa, Pessoa e Lorca,
na cola de Florbela Espanca
voando do Largo das Letras
pra boemia das ruas:
versos sobre os meios-fios.

O bonde segue pro Silvestre
onde a cidade fica inteira
aos pés de Santa Teresa.
Lá bebe-se água da fonte
 e as matas dos caboclos
penetram em nossas retinas.

Na virada dos bancos
pegam o bonde Cris dos Prazeres
a militante Dionysa Brandão (lembrança de Laura e Otávio)
direto da Equitativa
e voejam o manto coral
e o pólen de alguma essência
de um cálido monge budista
meditando com Antonio e Heloísa.

Volta o bonde ao Guimarães
passando pela Caixa d’água
aparição de Nelson Xavier
lá no alto da sacada,
ares do Largo do França.
Um primo-irmão do bondinho
transita na Vila Suíça (uns chamam de
Vila Jardim Santa Cecília).
E o bonde segue seu caminho:
Castelo do Valentim
Teresa que virou Térèze
Cadê o antigo Correio?
Tinha até sino na porta!
E a Folha de Santa Teresa,
porta-voz dos moradores
e tributo à poesia?
Também não existe mais
aquele armazém da esquina.

E nessa ciranda onírica
me transporto a outro bonde
coleando pro Largo das Neves.

Logo, logo, a biblioteca
pelas janelas de vidro
onde os estudantes leem
Cecília, Lobato, Quintana
e histórias em quadrinhos.
Rouba-me o olhar em rosa e jardins
o Centro Cultural Laurinda:
arte, celebração, comunidade
encontro com os amigos.

Virando a Monte Alegre
o Luisão e a Cristina
saem do Gomez e fazem batuque
em todo terreiro que avistam.

Trabalhando que só ela
na mão um pano de prato
na outra um copo de vinho
mando um beijo pra Fatinha
cerveja, noite de lua e petiscos.
Mas nessa parada
o bonde também tem saudade
da ginga do Robertinho.
“Ô moço, cadê o meu traçado?”

Tal qual Teresa de Ávila
levita, levita, bondinho
perfil inclinado pra Oriente
do mais belo pôr de sol do Rio
onde namoro várias ruelas.
E lá vai um galinho garnisé
batendo asas de uma casa simples
a dona a correr-lhe atrás
alguns marrecos em fila.

Tem também o roseiral
na casa que foi escola um dia.
Já sei, a arara do Vovô não está mais lá
habita etéreas paragens
mas, de fato, ainda ouço
seu metálico trinado
que ouriçava meus filhinhos,
lancheiras arrastadas, joelhos encardidos
vindos do Colégio Tomás de Aquino
(lembrança da Djanira).

Chegou a igreja das Neves.
Acesa! É noite de quermesse!

Não adianta!
Quando viajo no bonde de Santa Teresa
não vejo balas perdidas
nem ouço o tiroteio dos morros
não sei de ganho aos turistas
pelos pivetes ariscos
que fogem pela Portinha.

Sequer o roubo de um carro
naquela rua ali, ó Cristina!
Nunca ouvi falar do menino
que perdeu o pé direito
quando caiu do estribo
e o bonde passou por cima
seus livros de escola caídos.
E há pouco a professora morta
numa batida com o ônibus
e um táxi fugitivo,
uma história de freio sinistra.
Às vezes é uma ferida aberta, a vida.

Nada de assaltos-relâmpago
a deslumbrantes mansões
em plena luz do dia.

Pelo meu bondinho não passam:
crimes escabrosos, histórias de estupros,
acertos de conta, queimas de arquivo
e outras drogas.
Isso deixo pra Polícia
e pro Caderno de Notícias.

É outra a minha matéria,
ela é feita de fios de sonhos.

Mas afinal, vizinhos,
o que é um poeta sem seus sonhos?


Sábado, Dezembro 10, 2011

Os gatos

Cláudia Éfe

Estão nos telhados
mordendo as luas
lá se vão os gatos
assim
vagabundando madrugadas.
Uns pretos, malhados, uns não
trocando a fome pela liberdade 

Sexta-feira, Dezembro 09, 2011

Nossa querida amiga  Regina Rocha foi no tocar no céu. 
Receba luz, paz, a alegria do convívio.
Um beijo, minha parceira de inesquecíveis dias e muita música.
Assim como muitos, amo você.
Saudades.

Domingo, Dezembro 04, 2011

Música e solidariedade

A nossa querida amiga Regina Rocha, compositora e multiinstrumentista, precisa da nossa presença e solidariedade.

O evento acontece no próximo dia 07 de dezembro 
(quarta-feira), a partir das 19h, no Mercado das Pulgas, Largo dos Guimarães, 
Santa Teresa.

Segunda-feira, Novembro 28, 2011

Cristina da Costa Pereira no Museu da República (RJ)



Acontece no próximo dia 08 de dezembro (quinta-feira), a partir das 19h, no Museu da República (RJ), o lançamento do livro Qualquer chão leva ao céu - a história do menino e do cigano (Escrita Fina Edições), da escritora Cristina da Costa Pereira.
Mais informações:
http://escritafina-livros.blogspot.com/    
                                

Segunda-feira, Outubro 17, 2011

Cristina da Costa Pereira recebe Nelson Xavier

Encontros com Arte
22 de outubro de 2011, às 17h

Centro Cultural Laurinda Santos Lobo
Rua Monte Alegre, nº 306, Santa Teresa
Entrada franca

Domingo, Setembro 25, 2011

Tempo Sem Tempo


Tempo Sem Tempo

vê se encontra um tempo
pra me encontrar sem contratempo
por algum tempo
o tempo dá voltas e curvas
o tempo tem revoltas absurdas
ele é e não é ao mesmo tempo
avenida das flores
e a ferida das dores
e só então
de sopetão
entro e me adentro no tempo e no vento
e abarco e embarco no barco de Ísis e Osíris
sou como a flecha do arco do arco-íris
que despedaça as flores mais coloridas em mil fragmentos
que passa e de graça distribui amores de cristais totais sexuais celestiais
das feridas das queridas despedidas
de quem sentiu todos os momentos

Domingo, Julho 24, 2011

Segunda-feira, Maio 30, 2011

Tempo sem tempo



Do maravilhoso Zé Miguel Wisnik e do recém descoberto Celso Sim...


(vou sugerir que ouçam: http://youtu.be/ucwVXY2v1bw)

Quinta-feira, Maio 26, 2011

Ausência

(Carlos Drummond de Andrade
 – Com o pensamento em Ana Cristina César)

Por muito tempo achei que ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta..
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
Ausência é um estar em mim.
E sinto-a tão pegada, aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência, esta ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.


Sexta-feira, Abril 22, 2011

Hilda Hilst por Cláudia Barbosa



http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4989


Em 21 de abril de 2011, Hilda Hilst completaria 81 anos de idade. Vale conferir a entrevista de Cláudia Barbosa com a jornalista Ana Vasconcelos, amiga de Hilda.


A entrevista foi uma das fontes para a matéria "Uma Casa Deslumbrante", escrita por Cláudia Barbosa e publicada na edição 03 (março/abril) da revista Saraiva Conteúdo.






Quinta-feira, Março 10, 2011

                                                                                                                                             Cláudia Efe




A vida quer escrever cor
folha
paisagem poema
quer escrever mar
água, sal, vento
quer o sol que fura a nuvem
quer coragem por dentro
transbordando nas beiras
quer silêncio e estardalhaço
mas às vezes fica ali,
página vazia


Domingo, Dezembro 26, 2010

FELICIDADES



Que 2011 seja o ano da nossa coragem
de assumir definitivamente a nossa alegria
de deixar abertas as janelas dos nossos afetos.
Que a vida nos surpreenda com as esquinas das suas delicadezas
com aquela música que toca e a gente nem sabe de onde vem.
Que tudo seja belo e humano, que a ética nos conduza.
Que o amor transborde os nossos atos, e seja bússola para as nossas expectativas.


Um beijo, Feliz Natal e um 2011 maravilhoso!
Cláudia Ferrari

Sábado, Outubro 09, 2010

EU TAMBÉM SOU DILMA


Eu voto em Dilma

Estar por aqui

Dona Efe

Em sentido horário, Maurício, Cláudia Ferrari e Gabriela Leite
Bar da Fatinha, Santa Teresa, 07 outubro 2010


Não faz outro dia, de uns tempos pra cá, que passei a me sentir mais à vontade pra ficar quieta mesmo.

Sempre gostei do meu canto, meu paninho... mas, como bom viralata que sou, também faço meus estardalhaços e faço festa e morro de saudade e de alegria de tudo.

Gabriela ganhou uns mil e tantos votos nas urnas deste 2010, um foi meu e uns outros tantos de amigos que sei e outros dos que não sei.

O voto é uma forma de tentar mudar, mas é uma só e, mesmo assim, tão comprometida forma. Primeiro, de ser obrigatório, já é estranho e discordo. Depois... haja dinheiro pra fazer campanha, produzir tanto lixo, dissimular... 

Fico feliz pelo Freixo, que também votei.

Nasci em pleno golpe de 1964, e só lá pelos 15 me dei conta de onde estava... eu sou da Candelária e de tantas outras praças. 
Espero que possamos também nos mobilizar e contribuir em outras e tantas arenas... é por hoje.

Domingo, Setembro 19, 2010

MEU VOTO DECLARADO: GABRIELA LEITE, DEPUTADA FEDERAL, 4301

 Gabriela Leite, uma puta deputada


Gabriela Leite, 59 anos, é fundadora da grife Daspu e da ONG Davida. Prostituta nos anos 70 e 80, em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio, atua desde então em defesa dos Direitos Humanos das Mulheres. Promoveu o primeiro encontro nacional de meretrizes, em 1987, contribuindo para que a categoria se organizasse em associações, hoje atuantes em 20 estados.

Nessa batalha por cidadania, conquistou importantes parcerias com o Ministério da Saúde e incorporou-se ao Movimento Nacional de Luta contra a Aids. O enfrentamento do estigma, do preconceito e da discriminação tornou-se central em sua vida. Nos jornais, nas rádios e nas TVs, nunca teve medo ou vergonha de falar de sua trajetória, que lhe rendeu reconhecimento nacional e internacional.

É condecorada com a Medalha Tiradentes e o Troféu Luiz Mott, enquanto a ONG Davida recebeu prêmios dos Ministérios da Saúde e da Cultura. Autora do livro "Filha, mãe, avó e puta", terá sua história adaptada para o teatro e o cinema. Candidata a deputada federal pelo PV do Rio, pretende ampliar, no Congresso Nacional, sua batalha em defesa dos direitos das mulheres, do aprimoramento do SUS e da Educação Pública, da regulamentação de profissões como a dos profissionais do sexo. Ativista política que sempre foi, quer contribuir, principalmente, para tornar realidade o desejo de toda a sociedade: um Parlamento ético e de qualidade.

www.gabrielaleite.com.br
gabrielaleite2010@gmail.com
contato@gabrielaleite.com.br

Domingo, Agosto 01, 2010

efe



o amor fica nas cartas
no pano de prato comprado na feira
na capa do disco
n'alguma música que toca por dentro
fica no cheiro
que quando quiser o vento passa
o amor aparece no segundo inverno
dentro da gaveta desarrumada
no desenho da parede
e pendurado nos quadros
segue valente nas panelas
nos tapetes, na cama
revê aquele filme
lê de novo o poema


16julho2010

Quinta-feira, Julho 15, 2010

socorro

efe

é pretensioso
não ter muita paciência com o mundo
pode se confundir com a vida
que nada tem a ver com isso
o mundo anda chato demais
gente chata demais
e
eu
vou ficando também
sem alegria
achando tudo repetitivo
sem paixão, tesão, banal
preciso me arrebatar
enxergar fundo minha ignorância, ficar vesga
me desconstruir, reinventar
rasgar, virar do avesso
sei lá

Domingo, Julho 11, 2010

Para o limite

cláudia efe




noite de inverno
e outros pertencimentos
uma caneta sem tinta, outra com
o santinho florido
a janela com plantas
o barulhinho do vento também é meu
empoderei os sentidos do despojamento
é aqui o território desmedido
sem ata e atrelamento
não espero
não esmoreço
nem lanço
respiro fundo
se me vem
o ar
e mais fundo
se me
falta
a teimosia

Sábado, Março 27, 2010

tinta fresca


imagem: arquivo google, sem referência autor


efe


tenho 320 páginas
resenhas críticas
e dúzias de fichamentos
mas hoje é sábado
e me acomete
a tinta fresca
o pincél banhado na cozinha
a deslizar paredes
e escrever história com cores
reinventar as páginas
com uma alegria sem pressa
encharcada de delicadeza
ando a ouvir o som do vento

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

desconhecidos

efe

talvez seja para se desentender
que o tempo passe
é claro que reside alguma alegria nisso
descobrir o hiato de si mesmo
como fato indecifrável
sem submissão ou rédeas
infeliz do que em mim, se resolve
pura empáfia
ou do outro mim que, covarde, nada entende
é duro o combate das próprias e intransferíveis ignorâncias
quando sou muito mais o que ignoro
quase nada sou do que percebo
apenas nuance
suposição
vulto
só resisto
quando o amor me redime

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

pertencimentos



(imagem: arquivo google, sem referência autor)

efe


Feliz do dia
que amanheceu seu rosto
e trouxe vertigem
para a minha coragem.
Desde então, tudo transborda
e há um relógio enferrujado na parede
do tempo que anda.
Nada mais tem pressa
é bom o sol e a chuva e é bom o vento
também é música a entranha
e estranheza dos detalhes.
Vez por outra me desolo
em outras, desespero
mas não convém assustar a vida
que faz coisas como orvalho.

Domingo, Janeiro 24, 2010

Domingo


Cláudia Efe

Foto: arquivo Google, sem ref. autor

hoje é dia de Iracema e Amélia
as donas da feira
donas daquelas coisas raras:
lenço na cabeça, panela no fogo e outras simpatias
Tenho que bater o ponto, a cabeça, e outros rituais
porque hoje é domingo
dia do Baixinho, lá do Vila, e do chope tirado na pressão
dia de vento do Aterro e das ruas da Glória
e daquele arzinho gostoso que desce e sobe de Santa Teresa.
Dia de comemorar quando os deuses me deram novas duas janelas
que me abriram o mundo, faz um ano
E, destemido e morrendo de medo,
aportei de tirolesa
no encontro dos seus plurais.

Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

por onde

Cláudia Efe



Ando longe das palavras
para ver as distâncias
ceguei
uns dizem que há dias de sol e longa viagem
que é preciso ser água para os meus navios
que a vida na terra é dura
e cheia de encantos
outros nada dizem
uns se foram e viraram tantos
outros coisificados
tanta gente
olho no escuro de não ver nada
e
ainda assim
sigo adiante

Terça-feira, Novembro 03, 2009

SÓ A MÚSICA FAZ...

A cantora e compositora Olívia esteve na rádio Cultura Brasil para divulgar seu sexto disco "Só a música faz..." e concedeu uma entrevista exclusiva a Vilmar Bittencourt para o programa Galeria.

Vale conferir:


http://www.radarcultura.com.br/node/38877

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Quarta-feira, Outubro 07, 2009


efe
foto::arquivo Google, s/ref.autor



ENTRE O PRÓLOGO E A EPÍGRAFE:

A PREGUIÇA

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

foto: arquivo Google, s/referência autor
texto: Cláudia Efe


O discurso é arco
(ai)
da flexa que não ouve o vento

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Que os deuses me livrem
das ignorâncias
próprias e alheias
daquelas que batem cabeça
nas paredes do invisível da vida
e que nos livrem da necessidade
de fazer catarse no quintal do vizinho
próximo ou distante
que cada um cuide do seu próprio lixo
o que um mundo melhor precisa
são de melhores pessoas
amém

Domingo, Agosto 02, 2009

Claudia Efe

Não entendi
o verso
a prosa
eu poderia até pensar numa sanfona
e nas suas possibilidades
mas reparei num dado instante
que era muito aquém do limitado
eu era um som
sem escalas
foi quando me dei conta
que a música

Domingo, Julho 19, 2009

Nathalie Loureiro e Cláudia Ferrari


Pelo instante
tráfego intenso
silhuetas transparentes
são baralhos, as luas?
Incabíveis solidões
entre o Divino e o Profano
apenas respiro
Idolatrada Manhã
o ar
e estonteante Madrugada
uma alma que se entregue
e o diabo...
que me agarre às estrelas.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

A casa

Efe


Sobre esta noite
tenho a dizer
que me entram
ruídos de gente, como vozes sem endereço
os ventos são como engenho na janela e provocam luas de frases longas
tenho a dizer que tudo é pacato
como as aparências das ruas distantes, dos moinhos vazios
aqui está a minha casa e seus cheiros e lugares escondidos
nada pra ela é objeto, tudo se conta
os amores que tive, os que não tive, os que invento
Se apropria dos ruídos, dá endereço às vozes
Embaralha o silêncio, despedaça os moinhos
fica dona do tempo

Domingo, Junho 21, 2009

Quando isso é só hoje

Cláudia Efe



A maioria de tudo me escapa
Inclusive preciso escrever depressa
Antes que me desvaneça o segundo
Razoável que já me tomou o primeiro
É preciso urgência para a natureza das coisas
Dado que me foge a sabedoria
Como corredeira
Não basta o sol por um dia inteiro
Ou luas cravadas que se ostentam
Tudo será pouco
Dada a geografia parca do entendimento
Queria de volta meus quatro anos
Uns cinco, talvez
Eu olhava com os olhos
E comia com a boca
O caminho

21.06.2009

Terça-feira, Junho 09, 2009


Efe


Rua estreita
No caminho do poema
Ribeira, Amparo
Ladeira
Casas espremidas
Janelas miúdas, portas largas
O mar é o caminho
De quem olha
Por toda a parte o som do vento se vê
Meninos
Tiago Amorim molhado de barro

Sábado, Maio 30, 2009

Efe



Nuvem de chumbo
Céu de São Paulo
Dia qualquer
Ah, quando o vento
Quando as horas

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Telegrama, outro

Efe



em algum instante
tudo avisa urgência
há uma grande viagem
é preciso que se façam malas
que se marquem bilhetes
que se embarquem

Telegrama

imagem, arquivo Google, s/ref. autor


Cláudia Efe





tudo avisa
viagem
é preciso que se façam malas
libertem bilhetes
que se embarquem

Terça-feira, Maio 19, 2009

OS CIGANOS AINDA ESTÃO NA ESTRADA

CRISTINA DA COSTA PEREIRA
LANÇA
NA LIVRARIA ARGUMENTO, LEBLON,
NO PRÓXIMO DIA 03 DE JUNHO, A PARTIR DAS 19h



Sábado, Maio 16, 2009

Oxalá


Efe


Que Deus me dê a noite
Esta lua que cai do céu
E segue adiante
Que tudo nos seja
Como costura
Que as horas permaneçam
e a música me percorra
que as veias pulsem
e tudo aconteça mais que a opinião
Que a vida seja vida
Em mim em tudo e no outro

para o talvez


Efe (arquivo Google, s/ref.autor)



estetas
mamas
retas
curvas
protuberâncias
pulsares
o quase
o quando

Sábado, Maio 09, 2009

Efe

Nada
que Deus não viu
uma lua cheia
diante
e uma mulher
enquanto

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Khrystal, o cão chupando manga

por Cláudia Ferrari


Tive a sorte de assistir ao show de Khrystal ontem à noite, no muito querido teatro Rival (Petrobras).
Impactante é pouco, foi Brasil pelos meus quatro cantos. De Jackson, Lenine e de outros cabras tão arretados que minha ignorância nunca ouviu falar.

(continuo mais tarde, hora de ir pro trabalho... até)

Domingo, Maio 03, 2009

Augusto Boal


"Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida"

(num discurso em Paris, no dia 27 de abril de 2009, Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido, 1931- + 2009).

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Khrystal no Teatro Rival , é "Coisa de Preto"


por Zé Dias (Produtor Cultural)


http://www.myspace.com/cantorakhrystal


Coisa de preto dá coco. E se dá coco é potiguar. É mais ou menos nessa batida que Khrystal lança o CD “Coisa de Preto” no Teatro Rival Petrobras, Rio de Janeiro.

Com 27 anos de vida e já com oito de carreira, a cantora Khrystal, como a maioria dos artistas brasileiros, começou a se apresentar na noite, cantando hits de sua geração, sem nunca perder a via da trajetória da Música Popular Brasileira.

Antenada com todos os sons e se dizendo intérprete da MPB do rock, nos últimos anos mergulhou em um trabalho de pesquisa no ritmo mais potiguar de todos (O CÔCO) e lançou em maio de 2008, seu primeiro trabalho que contempla canções de Lenine, Dominguinhos, Guinga e Jacinto Silva, para citar alguns dos bons compositores nacionais, e resgata Elino Julião, além dos novatos Galvão Filho e Romildo Soares, potiguares da melhor estirpe.

Paralelo ao trabalho de cantora e, sentindo necessidade de se expressar como compositora, uniu-se a quatro cantores/compositores, Luiz Gadelha, Angela Castro, Simona Talma e Valéria Oliveira. Juntos, criaram o Projeto Retrovisor, que nada mais é do que uma ode a canção autoral.

Como primeiro fruto do projeto, khrystal e Simona Talma vencem o MPBECO-Festival do Beco da Lama, com a canção “Volta”, consolidando a união e força da iniciativa que visitou os quatro cantos da cidade, além de Mossoró e Ribeirão Preto/SP, mostrando suas canções autorais e confirmando que nem tudo está perdido na canção popular do Brasil.


SERVIÇO

KHRYSTAL & BANDA
DIA 05 DE MAIO, TERÇA-FEIRA, ÀS 19h30
TEATRO RIVAL PETROBRAS
INTEIRA: R$ 30,
MEIA: R$ 15,


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Terça-feira, Abril 21, 2009

proximidade




a vida anda de dizer:
vento, chuva, terra molhada
sussurra, grita, esperneia, cala
e me esfrega de sol o noturno
a vida é de silêncio e o som das coisas
por ali, tudo se expande
em susto e outras perplexidades
tenho preguiça e burrice
e outras patologias
e ela me dá o que me é distante
amém

Quinta-feira, Abril 09, 2009

foto: arquivo Google, s/referência autor

CláudiEfe



o poema vai dizer
que existe agora
um amor de saudade imensa
vai desenhar seu corpo
em cada linha
capturar o gesto, a forma
como um torto
vai me ver na madrugada
assim, desfiladeiro
vai jorrar água por todo poro
como um tolo
vai querer me arrancar de dentro

Domingo, Março 01, 2009

ACASOS LITERÁRIOS




A Editora Multifoco faz uma homenagem especial às mulheres
dia quatro de março, quarta-feira, a partir das 19h30


Debate com as autoras:
MARIA DE QUEIROZ (FLORES DE DENTRO) & TATHIANA TREUFFAR (ABRO O LIVRO QUE ME ESCREVO)

MPB e Samba:
MICHELINE CARDOSO

av. Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro
reservas: 2222 3034

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Sobre perambulações no pequeno livro de mágicas


Cláudia Efe




O que é a memória?
Talvez, uma serpente
uma reta que me faz distância entre dois pontos?
Também sou um objeto primitivo
Dotado de cálculos, lóbulos, libidos
Ai de mim, em rima pobre
esta ascendente




Fotografia: arquivo Google, s/ref.autor

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Dona Do Raio: O Vento

Doryval Caymmi


Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento


"É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz um ninho no enrolar da fúria e voa firme e certa como bala
As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos, passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança a sua força e do risco de morrer, seu alimento
Por isso me parece imagem e justa
Para quem vive e canta num mau tempo"

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia (2x)

A minha voz é vento de maio
Cruzando os mares dos ares do chão
Meu olhar tem a força do raio que vem de dentro do meu coração

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

Eu não conheço rajada de vento mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro, vira um corisco esse meu coração
Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento, tornou-se a dona do meu coração

O raio de Iansã sou eu...

Sem ela não se anda
Ela é a menina dos olhos de Oxum
Flecha que mira o Sol
Olhar de mim.
desenho: António Sabão

Cláudia Efe






Pelos olhos alago
em outras vezes não vejo

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

O que se passa


Claudia Efe



Ruas, são ruas
De pedra, barro ou cimento
Basta quem seja

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009


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Sábado, Fevereiro 07, 2009

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Não sei quantas almas tenho


Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Tunico Ferreira & Banda




Dia 6 de fevereiro, sexta-feira, às seis e meia.
Dia 7 de fevereiro, sábado, às cinco da tarde.


CENTRO DE REFERÊNCIA DA MÚSICA CARIOCA
rua Conde de Bonfim, 824, Tijuca

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Das Vantagens de Ser Bobo


Clarice Lispector


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.

O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.
Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.

O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.

Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.

Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.

É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.